Explicando o inexplicável
Carinho: Presente enviado pelo coração cujo portador pode ser mão, boca, gesto ou palavra.
by Adriana Falcão
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"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."


Eu sou mais eu
Conto de Réis





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.:Acervo Pessoal:.
.:Acidulante:.
.:Andando ao Deus dará:.
.:Aqui tem Donna:.
.:Balaio de Idéias:.
.:Blues curitibano:.
.:chfb in concert:.
.:Das coisas que ficam:.
.:Depósito de Receitas Damasco:.
.:Infinito Particular:.
.:Manual Cerebral:.
.:Mentiras históricas:.
.:O dedo do Quevedo:.
.:O Mutante:.
.:Saudade do Presidente Figueiredo:.
.:Somewhere Only we Know:.
.:Trash:.
.:The Walrus:.
.:Um ano e 11 dias:.
.:Understand me...:.

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Quarta-feira, Setembro 03, 2008

vita brevis



As pessoas querem segurança. Essa palavra deveria ser abolida dos relacionamentos. Você não me dá segurança. Preciso de mais segurança. Se alguém não se sente seguro, me diz, como eu posso ajudar? Segurando-me nele? Muitos dos meus relacionamentos acabaram porque poucos estão acostumados a gostar em liberdade. Ser livre para ir e vir. Mudar se eu quiser, quantas vezes eu quiser e para onde eu quiser. E o amor, no meio deste caminho, se manifesta de diversas maneiras que me transbordam, mas está sempre dentro de mim: no jeito de olhar, nos pequenos gestos, no querer bem, no cuidar mesmo que a distância, no respeito mútuo, na maneira que escolhi para viver. Então os egoístas me perguntam: você faz o que quer, e eu, como fico? Fica como quiser, onde quiser, assim como eu. Sempre ouvi que minha vida era muito provisória. Hoje você está aqui, mas nunca sei o que acontecerá amanhã. Hoje você quer dar aulas, mas amanhã você quer nadar com as baleias. Hoje você quer uma casa no campo, amanhã quer trabalhar num navio. E que graça teria se hoje eu sempre soubesse o que vai ser de mim amanhã? Gosto de acordar e ter uma única certeza, a de que quando saio de casa, se ando em linha reta, minha vida é uma. Se viro à direita, minha vida é outra. Se escolho à esquerda ela é exatamente como deveria ou não deveria ser. E quem saberá ao certo que caminho tomar? As pessoas que querem segurança são as mesmas que confundem liberdade com libertinagem. Querem uma vida mais perene, mais tranqüila. Querem ser estátua de bronze no meio da praça. Querem ser o aeroporto. Eu, quero ser o avião. Para que ser estático se posso estar em movimento? Para quê me enterrar no solo se posso voar? De que me adianta ser enorme se não posso sair do lugar? Nasci de asas e com elas morrerei. Sei que as mesmas asas que me levam por mundos desconhecidos, que me carregam em vôos altos, que alimentam minha imaginação, muitas vezes me separam das pessoas que amo e daqueles que me amam. Mas não deixo de amá-los por isso. Na minha ausência tem sempre a minha presença, solta, dispersa, em forma de vento. Por isso prefiro ser ar. Ninguém vê, ninguém pega, ninguém prende, mas todo mundo respira. Ser anjo muitas vezes é uma maldição.

postado por: juli poppins 9:34 AM

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