Sexta-feira, Setembro 29, 2006
Eu não poderia deixar de falar das eleições. Longe de mim dizer vote neste, não vote naquele, desde que não votem no Newton Cardoso, convivo bem com a democracia e a liberdade de expressão. Mas ontem ouvi uma daquelas piadas muito boas, boas até porque parecem muito mais verdade do que mentira. E se Jesus Cristo ressucitou mesmo, coloco minha mão no fogo de que também disse isto: "Lula, num discurso emocionado, depois de se comparar à JK e Getúlio Vargas, declara-se traído como Cristo. Incompreendido como Cristo. Revolucionário, pobre, lutador, mas salvador como Cristo. E nessa hora, Cristo pensa: viaja mais de avião do que de carro, descarto o acidente; tiro no peito? Covarde demais. E grita: Gente, crucifica logo o coitado!"
PS: Meu Deus! Please, domingo: faça com que todos os pobres e analfabetos políticos percam o ônibus, a jangada, o cipó, o pau-de-arara; a carona, o caminhão, o cabresto, a coleira, a bolsa, a família, o caminho da urna e o número do candidato que eles anotaram no papel higiênico ou no jornal.
Walter Navarro
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juli poppins
7:33 AM
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Quinta-feira, Setembro 28, 2006
Ontem, saindo de uma reunião, resolvi entrar no cinema. Estou ficando muito boa nesses rompantes: vejo uma boa cafeteria, sento e tomo um café. Muito frio, chocolate quente. Muito calor, uma cervejinha. Livraria? Compro um livro. Sempre entre uma coisa e outra ou entre nada e coisa alguma. Sozinha. Estou descobrindo isso que todo mundo fala e pouca gente pratica de ser feliz comigo mesmo. É bem chato, para falar a verdade, mas pode ser divertido ou pelo menos desentediante quando temos assuntos a resolver conosco, sabe? Horários pouco convencionais têm me proporcionado delíciosas sessões de cinema. A de ontem, por exemplo, foi daquelas de encher a alma. Um pacote de pipoca, cinco minutos atrasada, assisti "Tapas". Quem não viu, veja. Coisa daquelas que há tempos não via igual. Doce amargo, riso e lágrimas se confundem. Cinco histórias numa só, como a sua, a minha, a nossa. Deu vontade de bater palmas quando o filme acabou, o que não fiz, mas fiquei com um sorriso bobo pregado na cara até agora e um buraquinho bem no meio do peito.
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juli poppins
7:07 AM
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Quarta-feira, Setembro 27, 2006
Sou dessas pessoas que adora dar conselhos mas nunca sabe o que fazer da própria vida. Assim, eu sei o que quero, eu sei quem eu quero, eu sei como quero, mas não sei se devo agir. Não sei se passo o braço ao redor do pescoço ou se afrouxo o cadarço para o tênis sair do pé. Perco sempre o sabonete que escorre de minhas mãos na hora do banho. Simples e complicado isso. Sou feliz e não sou. Sabe a felicidade clandestina de ter e fingir o não, só para redescobrir depois? Acho que vivo fazendo jogos de megalodrama. Ligo ou não ligo? Mando uma mensagem. Durmo ou saio? Amigo ou inimigo? Tomo uma cerveja e vou ao cinema sozinha. E nem adianta eu dizer que qualquer dia viro minha vida de cabeça para baixo, porque isso faço sempre. E o meu sempre, muitas vezes é todo dia.
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9:05 AM
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Sexta-feira, Setembro 22, 2006
Às vezes eu queria muito saber o que vai ser disso. Mas quando eu penso que o resto seria tão sem graça, eu desquero.
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juli poppins
8:48 AM
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Quarta-feira, Setembro 20, 2006
eu nasci, há dez mil anos atrás
Vovô, quantos anos você tem?
Hmmmm... Deixe-me ver, olha se consegue imaginar: quando eu era criança, chamávamos nosso pai de senhor e pedíamos a benção todos dias antes de dormir. Usávamos roupa de festa para ir à missa, nunca sentávamos à cabeceira da mesa e a coxa do frango era sempre para os mais velhos. Quando eu nasci não tinha televisão, computador e câmera digital. Se quiséssemos tirar uma foto, tínhamos que chamar um moço para isso. Algum tempo depois tínhamos câmeras, mas cada foto demorava mais de uma semana para ficar pronta. Ouvíamos novela e notíciário no rádio e CD ainda era coisa de ficção científica. Nossos brinquedos não tinham pilha ou bateria e ninguém nem sonhava com um celular. Cinema era mudo e as pessoas se comunicavam por cartas. Carro era artigo de luxo, para quem tinha muito, muito dinheiro. Os jovens moravam nos colégios e só voltavam para casa da época das férias. Os adultos ainda não podiam votar. Todo mundo desfilava na parada do Dia da Independência e nós usávamos malhas da Adidas de uniforme para as aulas de educação física. Tínhamos álgebra, filosofia e francês como disciplina, escrevíamos flor com acento circunflexo no "o" e farmácia com "ph". Controle remoto... tão remoto quanto a idéia de um. Não existia divórcio quando eu nasci, e ainda existiam casamentos que duravam para sempre. Não tínhamos tênis que acendiam luzes no calcanhar, nem com rodinhas, aliás, não tínhamos tênis. Nem tênis nem lapiseiras, escrevíamos a lápis. Caneta, só Bic. Nada de xerox, as folhas do colégio eram rodadas no mimeógrafo e tinham um cheiro forte de álcool. Perfume era colônia e mulher bonita tinha sempre mais roupa do que corpo à mostra. Todos os meus amigos tinham mais ou menos seis irmãos e podíamos andar pelas ruas das grandes cidades a qualquer hora do dia sem ter medo de ladrão nem de polícia (quer dizer, quase). As pessoas no Brasil tinham ideais e algumas lutavam por eles, outras, até morriam. Cantávamos o Hino Nacional todos os dias de manhã. Apanhávamos dos pais e dos professores, de correia, palmatória e, na falta dos dois, tomávamos uns bons beliscões... Quantos anos você acha que eu tenho?
Nossa, vovô, uns duzentos???
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juli poppins
2:36 PM
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Segunda-feira, Setembro 18, 2006
Não é só a morte aquilo que pode matar um homem.
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juli poppins
7:39 PM
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Às vezes eu penso que queria ser bem burra. Burrinha mesmo, daquelas que não consegue nem pensar. Queria não saber ler, nem revistas, nem jornais, nem legendas, nem internet. Computador? Nunca ter visto. Se visse, ignoraria. Não conseguir interpretar textos, não entender. Queria não saber fazer contas, nisso sei que passo longe da exelência, mas, de repente, desconhecer até o pouco que sei. Não falar outras línguas, não dar a mínima para o cinema. Aliás, não dar a mínima para as pessoas, para o planeta, para ninguém ou coisa alguma além de mim. Não escrever, não gostar, não me emocionar. Morar em uma torre de marfim, longe do mundo e o mundo longe de mim. O mundo não seria diferente, seria sempre igual, aliás, eu sei de tudo, leio, vejo, ouço, escrevo e as coisas continuam sendo as mesmas coisas. Pelo menos, se eu fosse o que não sou, alguém seria mais feliz.
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juli poppins
8:46 AM
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Quinta-feira, Setembro 14, 2006
buraco negro
Não sei se entendi bem a piada, mas foi só um brasileiro ir para o espaço que sumiram com Plutão?!?
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juli poppins
8:09 AM
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Terça-feira, Setembro 12, 2006
Sempre sonhei em viver num filme, mas acabei numa novela mexicana.
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juli poppins
10:01 PM
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Segunda-feira, Setembro 11, 2006
Na vida não existe destino, o que exixte é um baita desatino.
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juli poppins
7:38 PM
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Sexta-feira, Setembro 08, 2006
serpente, nem sente, que me envenenou
Texto escrito há tanto que quase virou lenda.
Durmo pouco. Há muito tempo eu não tinha mais insônia, entretanto, agora são 03:03 e eu ainda não consegui dormir. Cansei de rolar na cama tentando esquecer meus fantasmas, acendi a luz, fiz uma ronda pela casa. Não tenho fome. Não tenho sede. Abri a janela, risquei um fósforo, acendi um cigarro. Lá fora faz frio. A rua, deserta, me espia. Ao longe, barulho dos carros, uma sirene, ambulância, talvez. Tantas janelas, tantas pessoas, tanta solidão. Exatamente hoje, dia em que perdi. Sem notícia, sem choro, sem abraço, sem risada, sem medo, sem carinho, sem cuidado, sem presente, sem estresse. Tudo muito tranqüilo. A foto já não mora mais no porta-retrato, mas muita coisa ficou nostalgicamente guardada na cabeça e no coração. Muito já aconteceu em minha vida, mas a angústia que me invade o peito esta noite é pelo que não aconteceu, ou não acontece. Um dia não acreditei em amor a primeira vista, no outro me encantei no primeiro beijo. Para quem não esperava nada, alguma coisa assusta. Eu queria viagens, planos, promessas, infindáveis conversas em butecos, amigos, encontros e desencontros, noites dormidas e acordadas, tardes na cozinha, colo. As lágrimas que me escorrem dos olhos agora aliviam. Fiz a coisa certa, fui sensata, madura, afastei-me, mas não perdi essa vontade indomável de amar. E se dissesse que me acostumo com as coisas como são estaria mentindo. Até hoje meus olhos procuram por outros olhos onde eu possa perder os meus. Os minutos passam. As horas passam. Noite adentro, sei que isso também há de passar. Ou não. Mais um cigarro.
Será que na vida real o destino de quem se apaixona é sempre terminar sozinho? Cruel.
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juli poppins
12:36 PM
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Sexta-feira, Setembro 01, 2006
Frase da noite ontem: A Obra não bomba, implode.
Sentimento do dia hoje: Frustração.
Remédio para os dois males: Cama.
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juli poppins
2:33 PM
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