Explicando o inexplicável
Carinho: Presente enviado pelo coração cujo portador pode ser mão, boca, gesto ou palavra.
by Adriana Falcão
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"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."


Eu sou mais eu
Conto de Réis
Professora 24 Horas
Eu no orkut





Dias que passaram





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.:Acervo Pessoal:.
.:Acidulante:.
.:Andando ao Deus dará:.
.:Aqui tem Donna:.
.:Blues curitibano:.
.:chfb in concert:.
.:Das coisas que ficam:.
.:Mentiras históricas:.
.:O dedo do Quevedo:.
.:O Mutante:.
.:A Poison Tree:.
.:Saudade do Presidente Figueiredo:.
.:Trash:.
.:Um ano e 11 dias:.
.:Understand me...:.

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Terça-feira, Outubro 25, 2005

Eu queria escrever alguma coisa hoje sobre angústia. Não sei bem se é esse o nome, mas a palavra me parece tão angustiante quanto o que eu sinto às vezes. É uma nostalgia mórbida das coisas que vi e não queria ter visto, das coisas que ouvi e ainda ecoam aqui dentro, das coisas que aconteceram e eu não queria nem imaginar. De repente minha cabeça fica povoada de monstros e eu sou atropelada por uma vontade doida de ter tido amnésia por um lapso, ou de ter sido cega por alguns segundos. Depois passa. E fica a oficina irritada martelando meus medos. E como são barulhentos, irritantes e insistentes. Repetitivos. Vou remoendo, torcendo, ruminando, dentro de mim. Vontade de furar um buraquinho no cérebro e aliviar a pressão. Vontade de só por um momento entender essa coisa louca a que chamamos coração.

postado por: juli morré 4:28 PM

Passo a bola:


Segunda-feira, Outubro 24, 2005

isso aqui, ô ô...

"Os brasileiros foram convocados a participar, neste domingo, 23 de outubro de 2005, de uma consulta popular sobre coisa nenhuma. Trata-se de algo possivelmente inédito no mundo." Roberto Pompeu Toledo

...é um pouquinho de Brasil, iá iá.

postado por: juli morré 10:03 AM

Passo a bola:


Quinta-feira, Outubro 20, 2005

eu amo, tu me amas, nós nos amamos



O amor é parecido com a fome. Milhares de pessoas morrem de fome todos os dias. Outras milhares morrem de amor, ou falta de amor. Amor também precisa de alimento, fermento, fomento. Ele, sim, precisa de desarmamento, de trégua, de paz. O amor quer igualdade, solidariedade. Quer companheirismo, amizade. Às vezes a gente acha que é amor, mas é pura fome. Depois que a gente come, saciado o instinto, não nego e não minto, ficamos satisfeitos. Muitas vezes culpados, outras enfarados. Até a próxima refeição. Um dia o alimento não mais sacia, descobrimos o pão de cada dia, o milagre da multiplicação. Divisão de tudo um pouco, quanto mais se tem, mais se pensa no outro. O tempo é curto, o desejo é mútuo, o medo é muito. Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza. Exagera, mas não enjoa: e isso não acontece à toa. É que amor parece, mas não é fome. É vontade, não necessidade. Não é receita de bolo. Não é só paixão. Não é só tesão. É cuidar da massa, que todo ponto passa. É acompanhar o processo. É temperar com parcimônia. É degustar sem pressa, provar na hora certa. E o que nós precisamos é de uma boa cozinha, é de algo que, com ardor, mate essa nossa fome imensa, incomensurável e insasiável de amor.

postado por: juli morré 7:00 PM

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Quarta-feira, Outubro 19, 2005

fila de espera

Nunca gostei de esperar. Fila de espera me dá sempre a sensação de subalterno, de submisso. Mas às vezes a espera pode ser só o começo para o pagamento, ou para receber uma grana devida ou para passar o tempo. Passar o tempo pode ser bom ou mau. Às vezes a gente precisa aprender isso, ter paciência, e rir. Rir das coisas que acontecem o tempo todo, passe o tempo ou não. Quer dizer, sempre passa, apesar das coisas que ficam. E quando as coisas ficam, aí sim, o tempo valeu à pena. Tem valido.

postado por: juli morré 12:26 PM

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Segunda-feira, Outubro 17, 2005

referendos

Devíamos mostrar ao mundo inteiro como somos uma nação democrática. Por que é que o Governo não faz, também, um referendo sobre a transposição das águas do Rio São Francisco? Não acho que essa questão seja um problema regional. É como dizer que a Amazônia também é uma questão regional. Algumas coisas não são nem nacionais, são universais. É a natureza que está em risco. O Brasil, agora, precisou de seu maior rio para lavar tanta roupa suja (ou tanto dinheiro). E, pense bem, quem irá realmente se beneficiar com isso? Os grandes empreiteiros, donos de construtoras? Os grandes fazendeiros da região? O caboclinho condenado pela seca? Na verdade, acho isso tudo muito surreal. Uma amiga minha que chegou de Londres recentemente, quando ouviu sobre a transposição, achou que era uma piada. E eu respondi: no fundo, é. Depois, poderíamos fazer referendos sobre a legalização da maconha, o aborto, a pena de morte...

postado por: juli morré 4:06 PM

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Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Alguma coisa acontece no meu coração,
que só quando cruza a Ipiranga e Avenida São João...

postado por: juli morré 10:27 AM

Passo a bola:


Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Estava eu em pé num daqueles cafés-livraria-restaurante-bar-lojinha que eu adoro quando um homem se aproximou e disse: Você vem sempre aqui, não vem? Tenho lembrança de algumas vezes. Adoro sua voz, você canta? Pois devia. Quer uma boa indicação de livro? Gosto dos romances moçambicanos. Quando puder lê-los, não se arrependerá. Manter o português de Moçambique lhes confere certo charme. Mas enquanto termina seu café, gostaria mesmo que lesse esta poesia. Ela se parece com você.



Lira do amor romântico
ou a eterna repetição

Carlos Drummond de Andrade

Atirei um limão n'água
e fiquei vendo na margem.
Os peixinhos responderam:
Quem tem amor tem coragem.

Atirei um limão n'água
e caiu enviesado.
Ouvi um peixe dizer:
Melhor é o beijo roubado.

Atirei um limão n'água,
como faço todo ano.
Senti que os peixes diziam:
Todo amor vive de engano.

Atirei um limão n'água,
como um vidro de perfume.
Em coro os peixes disseram:
Joga fora teu ciúme.

Atirei um limão n'água
mas perdi a direção.
Os peixes, rindo, notaram:
Quanto dói uma paixão!

Atirei um limão n'água,
ele afundou um barquinho.
Não se espantaram os peixes:
faltava-me o teu carinho.

Atirei um limão n'água,
o rio logo amargou.
Os peixinhos repetiram:
É dor de quem muito amou.

Atirei um limão n'água,
o rio ficou vermelho
e cada peixinho viu
meu coração num espelho.

Atirei um limão n'água
mas depois me arrependi.
Cada peixinho assustado
me lembra o que já sofri.

Atirei um limão n'água,
antes não tivesse feito.
Os peixinhos me acusaram
de amar com falta de jeito.

Atirei um limão n'água,
fez-se logo um burburinho.
Nenhum peixe me avisou
da pedra no meu caminho.

Atirei um limão n'água,
de tão baixo ele boiou.
Comenta o peixe mais velho:
Infeliz quem não amou.

Atirei um limão n'água,
antes atirasse a vida.
Iria viver com os peixes
a minh'alma dolorida.

Atirei um limão n'água,
pedindo à água que o arraste.
Até os peixes choraram
porque tu me abandonaste.

Atirei um limão n'água.
Foi tamanho o rebuliço
que os peixinhos protestaram:
Se é amor, deixa disso.

Atirei um limão n'água,
não fez o menor ruído.
Se os peixes nada disseram,
tu me terás esquecido?

Atirei um limão n'água,
caiu certeiro: zás-trás.
Bem me avisou um peixinho:
Fui passado pra trás.

Atirei um limão n'água,
de clara ficou escura.
Até os peixes já sabem:
você não ama: tortura.

Atirei um limão n'água
e caí n'água também,
pois os peixes me avisaram,
que lá estava meu bem.

Atirei um limão n'água,
foi levado na corrente.
Senti que os peixes diziam:
Hás de amar eternamente.

postado por: juli morré 4:56 PM

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Sabe aquele papo de que homens são de Marte e mulheres são de Vênus? Esqueça isso. O fato é que mulheres são chatas e homens são bobos, simples assim.

postado por: juli morré 8:48 AM

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Sábado, Outubro 08, 2005

Da conversa com a Silvinha ontem, depois do Festival Internacional de Quadrinhos, saiu isto: A luz cega quem não está acostumado com a claridade. E eu digo que é verdade.

postado por: juli morré 7:49 AM

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Quinta-feira, Outubro 06, 2005

Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Entregue-se como eu me entreguei.
Não se preocupe em entender.
Viver ultrapassa qualquer entendimento...
Clarice Lispector

postado por: juli morré 5:43 AM

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A menina cresceu, se fortaleceu, ficou determinada, virou mulher. Mas ainda não consegue vencer o porta-retratos que dorme ao lado da cama.

postado por: juli morré 5:30 AM

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Quarta-feira, Outubro 05, 2005

primavera, verão, outono, inverno... primavera

Eu tenho espírito de primavera: adoro sol de primavera, adoro vento de primavera, adoro flores na primavera, adoro dias de primavera, adoro boas-novas de primavera. Eu adoro mudar de estação.

postado por: juli morré 11:18 AM

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Terça-feira, Outubro 04, 2005

história da carochinha
"Podia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui?" "Isso depende muito do lugar para onde você quer ir", disse o Gato. Alice no País das Maravilhas, Capítulo VI.

Era uma vez um príncipe que virou sapo.
Era uma vez uma princesa que virou imã de geladeira.
E os dois foram felizes para sempre.

postado por: juli morré 8:50 PM

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de onde vem a calma

Eu não sei o que está acontecendo comigo, existem muitas coisas que ainda não entendo. Achei que quando este dia chegasse, de novo, e ele chegaria, eu sabia, iria me desesperar, chorar, ficar de joelhos e me agarrar nos seus cabelos, nos seus pêlos, mas não... Tudo o que ficou em mim foi serenidade, mar adentro, alma afora. Nem dor, nem dó, nem de mim, nem medo, nem ciúmes, nem falta de sono, nem arrependimento. Só certeza e um pouco de tristeza. Certeza e resignação diante daquilo que não foi e talvez nunca será. Um dia em Tiradentes, não faz muito tempo, eu conheci um menino que me falou de primeiras vezes. Nós dois, ali na praça, machucados e sofridos, juntos e sozinhos, e ele teve a coragem de chorar, a audácia de falar de amor. Passamos a noite sem contar estrelas. E foi esse menino que sem querer, sem saber, sem sentir, mudou algo em minha vida. Não é fácil eu ter certeza das coisas que quero, muitas vezes nem sei quais coisas quero, mas sei bem as que não quero. Quero me embriagar de sobriedade cada segundo da minha vida para aproveitá-los verdadeira e intensamente. Quero não me arrepender do que fiz, do que faço, do que farei. Não preciso de falsos prazeres, de falsos sentidos, de falsas esperanças, nem nasci para viver atuando em um circo. Não quero ser platéia para alimentar com aplausos ou lágrimas nenhuma necessidade de auto-afirmação. Gosto de fazer escolhas e viver até o fim a dor e a delícia de cada uma delas. E porque existem muitos meninos como aquele de Tiradentes, que sobem em árvores por causa de um beijo e dizem "tá foda" quando estão sozinhos e admitem suas limitações e buscam se equilibrar e te dão colo e pedem colo e te entendem e mesmo assim ainda acreditam na felicidade, eu acredito que a vida é a arte do encontro, embora as pessoas insistam em se perder pela vida. E são encontros com hora marcada, o que passou, não volta mais. Mas entendo e aceito os desencontros: os atalhos são mais rápidos, mesmo não sendo tão belos. Eu escolhi o caminho mais longo.

postado por: juli morré 5:47 AM

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Domingo, Outubro 02, 2005

the end
Parece até brincadeira, mas quando eu entrei no táxi tocava Caetano Veloso. Na verdade, não é Deus que escreve certo por linhas tortas, somos nós que insistimos em escrever torto nas linhas mais certas.

Você não me ensinou a te esquecer
Bruno Mattos / Odair José

Não vejo mais você faz tanto tempo / Que vontade que eu sinto / De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços / É verdade, eu não minto / E nesse desespero em que me vejo / Já cheguei a tal ponto / De me trocar diversas vezes por você / Só pra ver se te encontro / Você bem que podia perdoar / E só mais uma vez me aceitar / Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la / Agora, que faço eu da vida sem você? / Você não me ensinou a te esquecer / Você só me ensinou a te querer / E te querendo eu vou tentando te encontrar / Vou me perdendo / Buscando em outros braços seus abraços / Perdido no vazio de outros passos / Do abismo em que você se retirou / E me atirou e me deixou aqui sozinho / Agora, que faço eu da vida sem você? / Você não me ensinou a te esquecer / Você só me ensinou a te querer / E te querendo eu vou tentando me encontrar

postado por: juli morré 10:24 PM

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