Explicando o inexplicável
Calúnia: Quando além de delator o mau-caráter ainda é mentiroso.
by Adriana Falcão
__________

"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."


Eu sou mais eu
Conto de Réis
Professora 24 Horas
Eu no orkut





Dias que passaram





Todo dia

.:Acervo Pessoal:.
.:Acidulante:.
.:Andando ao Deus dará:.
.:Aqui tem Donna:.
.:Blues curitibano:.
.:chfb in concert:.
.:Das coisas que ficam:.
.:Mentiras históricas:.
.:O dedo do Quevedo:.
.:O Mutante:.
.:A Poison Tree:.
.:Saudade do Presidente Figueiredo:.
.:Trash:.
.:Um ano e 11 dias:.
.:Understand me...:.

Sempre

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Augusto Vieira
Despropósitos
Michele







Domingo, Julho 31, 2005

Sempre, sempre, sempre, Mário Quintana, meu poeta preferido que aprendeu a blogar em livros.

Sentir primeiro, pensar depois.
Perdoar primeiro, julgar depois.

postado por: juli morré 9:06 AM

Passo a bola:


Sábado, Julho 30, 2005

Eu sei que a gente não devia nunca deixar que a nossa felicidade dependesse de alguém que não fossemos nós mesmos, mas para mim é tão impossível ser feliz sozinha. Tem horas que eu não sei o que escrever, tem horas que eu não sei como falar, tem horas que eu não sei o que fazer, tem horas que eu não sei como me explicar.

postado por: juli morré 8:34 PM

Passo a bola:


Sexta-feira, Julho 29, 2005

Eu não resisti. Copiei daqui que copiou daqui.

a idade de ser feliz
Mário Quintana

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo novo, de novo e de novo, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se presente e tem a duração do instante que passa.

postado por: juli morré 10:06 AM

Passo a bola:


Quinta-feira, Julho 28, 2005

E para quem quer saber como anda o coração da menina, basta dizer que a menina dos olhos dela brilham de novo?

postado por: juli morré 8:29 AM

Passo a bola:


Quarta-feira, Julho 27, 2005

Aonde está você agora além de aqui, dentro de mim?

postado por: juli morré 11:52 PM

Passo a bola:


entre médicos e loucos

claudia diz:
vou morrer de dor NO cotovelo
claudia diz:
deve ser esse computador e o jeito que eu me apoio pra escrever
Piaca diz:
procura um bom médico
claudia diz:
tenho PAVOR de ortopedista e de dentista
Piaca diz:
então procura um psiquiatra
claudia diz:
tenho medo deles também
claudia diz:
vai que me curam e eu fico sem assunto??? cê tá doida?
Piaca diz:
é, ia ser mesmo trágico. terrível...



Eu e Tia Clau, Búzios, janeiro deste ano.
Adoro esta foto!

postado por: juli morré 12:04 PM

Passo a bola:


Terça-feira, Julho 26, 2005

meu chefe mandou

Mas como diz o Boss: Juliana, pára de pensar, o amor não está no ar, o amor está num bar.

postado por: juli morré 11:15 PM

Passo a bola:


Não dormir não é mais nenhuma novidade para mim. Hoje, pelo menos, tenho um bom vinho, charutos e uma linda noite fria como companhia, o que eu ainda não sei é se isso torna as coisas melhores ou piores.

postado por: juli morré 3:07 AM

Passo a bola:


Segunda-feira, Julho 25, 2005

eu sei que vou te amar

Se fosse definir em apenas uma palavra a relação que tenho com Tiradentes, essa palavra seria visceral. Eu não sabia o que faria de minhas férias: alguns dias no Caraça, aulas de direção, uma semana em São Paulo... Mas Tiradentes eu sabia. Tive então a notícia de que uma tia comemoraria seus trinta anos de casada lá, e foi assim, todo mundo junto, que eu voltei para Tiradentes. Era certo que as pessoas passariam por lá, eu ficaria. Aliás, eu não, Tiradentes fica em mim. Sempre. Cada pedra daquelas ruas, cada curva já da estrada, cada telhado, casa, igreja, restaurante, bar. Minha história, ali, fica mais leve, e da frente da igreja de Santo Antônio, sentada na grama, olhando toda a cidade que cabe dentro de um dos meus olhos, é como se eu me recarregasse. Nos primeiros dias família reunida, agitação, expectativa. Hoje aqui sozinha, olhando pro céu, contando estrelas, curtindo o frio, deitada numa rede com o computador no colo, tomando um vinho e fumando um charuto, penso no mês que se passou. Um mês de ausências na minha vida diante de um final de semana repleto de encontros. Meus tios escolheram a capela da matriz para realizar a benção das alianças. Os dois formam um casal daqueles que a gente quer formar um dia. Ele sempre a considerou a mulher mais bonita e mais interessante do mundo, e nunca fez mistério disso para ninguém. Puxa a cadeira para ela se sentar, abre a porta do carro, dá presentes surpresa, comenta com os amigos sobre a roupa que ela está usando e às vezes deixa escapar num sussurro, no meio do jantar, um te amo baixinho, tão natural como bom dia. Ela sempre gostou desse tipo de carinho, e apesar de não ser assim tão aberta como ele, exibe no sorriso constante e nos olhos o brilho de ser uma mulher amada. Na cerimônia, foi ele quem chorou, e ela, segurando suas mãos e olhando bem nos olhos dele, repetia com calma as mesmas palavras que pronunciaram há trinta anos: Eu recebo você como meu marido, e prometo amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias de minha vida. Agora, quem chora sou eu. Quando falo de amor, é esse o amor que quero. Amor de verdade, sincero, sem medo. E não pense que esse amor foi feito só de alegrias e declarações. Foi um amor que enfrentou um câncer, períodos de desemprego, três filhos adolescentes, preconceitos, morte, várias mudanças de cidade, e tudo o mais que trinta anos podem trazer, construído com base na amizade, no companheirismo, na paixão e no respeito. E assim, entre pensamentos, banhos de banheira com ervas e sais, copos de conhaque no Conto de Réis, muitas risadas e uma grande cama de casal vazia, vi meu sofrimento se transformar em calma. De repente a angústia se desmanchou na certeza de querer a sorte de um amor tranqüilo. Eu, que sempre acreditei no amor, não vou deixá-lo fugir de mim, não vou matar esse sonho que durante seis meses alimentei, mas bastaram alguns dias para que fosse sufocado. E quando acontecer comigo, não será unilateral. As pessoas são diferentes, mas o amor tem que ser compartilhado para ser vivido. Para ser amor. Por isso, eu quero amar alguém que me ame assim, que lute por mim. Como eu luto pelo que amo. Mas ninguém luta sozinho e eu não sou nenhum exército de um homem só, apesar de ser eu sozinha futebol clube. Sou, sim, muito intensa no que vivo, muito radical nas decisões que tomo, muito errada, alguns podem dizer, mas tudo isso porque eu tenho muito mais medo do se, das possibilidades, do que de enfrentar meus desejos e ver não era bem isso o que eu queria. Algumas vidas podem durar para sempre, a minha vida é muito curta, por isso eu gosto de desafios e quero ser feliz hoje, amanhã e depois, não vou mais adiar isso. Nesse último mês eu perdi muitas coisas, mas ganhei outras tantas também. E Tiradentes é isso, me mostra que a solidão, mesmo não sendo minha companhia preferida, pode me encher de surpresas boas, que serão vividas da única forma que eu sei viver, intensamente, e que serão guardadas na única forma que sei de não esquecer, verdadeiramente.



vambora
Adriana Calcanhoto

Entre por esta porta agora / E diga que me adora / Você tem meia hora / Pra mudar a minha vida / Vem vambora / Que o que você demora / É o que o tempo leva / Ainda tem o seu perfume pela casa / Ainda tem você na sala / Porque meu coração dispara / Quando tem o seu cheiro / Dentro de um livro / Dentro da noite veloz / Na cinza das horas

postado por: juli morré 10:14 PM

Passo a bola:


Quinta-feira, Julho 21, 2005

Paula em São Paulo. Lu na Argentina. Querou em Curitiba. Ana Cristina em Caratinga. Silvinha em Londres. Dudu em cabo Frio. Nanda em São Paulo. Mamãe em Cana Verde. Ju e Ado no Caraça. Branca em Santana do Jacaré. Karina em Virginópolis. Uirá em Diamantina. André no Canadá. Paulina em Belo Horizonte. Anna Barbara em Budapeste. Bruninho na Bahia. Juzinha em Cancun. Lu Chapignhon em Fortaleza.
Eu, meu lap top e as mil e uma noites em Tiradentes.


os outros
Leoni

Já conheci muita gente / Gostei de alguns garotos / Mas depois de você / Os outros são os outros / Ninguém pode acreditar / A gente separado / Eu tenho mil amigos / Mas você foi / Meu melhor namorado /
Procuro evitar comparações / Entre flores e declarações / Eu tento te esquecer / A minha vida continua / Mas é certo que eu seria sempre sua / Quem pode me entender / Depois de você / Os outros são os outros / E só / São tantas noites em restaurantes / Amores sem ciúmes / Eu sei bem mais do que antes / Sobre mãos, bocas e perfumes / Eu não consigo achar normal / Meninas do seu lado / Eu sei que não merecem / Mais que um cinema / Com meu melhor namorado

postado por: juli morré 7:11 PM

Passo a bola:


Ontem a noite estava linda: fazia frio e a lua cheia reinava num céu ladrilhado de estrelas. E tudo o que eu pensava era no que minhas tatuagens fariam agora nas noites da Chapada Diamantina.



Mas eu nem sempre quero ser feliz
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural [...]
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender [...]
Fernando Pessoa por Alberto Caeiro

postado por: juli morré 12:40 PM

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Quarta-feira, Julho 20, 2005

sobre signos, horóscopo, numerologia, i-ching e coisas afins

Aninha diz:
acredita em numerologia?
Jujuba diz:
acredito, por quê? quer dizer... um pouco
Aninha diz:
pera aê... vou te mostrar uma coisa que recebi falando sobre o dia do nosso aniversário...
Aninha diz:
Dia 16 - Estes são aqueles que quebram seus brinquedos quando crianças e tornam-se adultos para lá de desastrados. Têm tendência a atrair o azar. Por outro lado, se receberem a tarefa de reerguer uma empresa falida, por exemplo, terão mais êxito do que qualquer outro, por estarem acostumados a reconstruir. Um conselho da Numerologia para anular o aspecto azarado desse número é comemorar o aniversário sempre no dia 17.
Jujuba diz:
credo, que praga no dia do nosso aniversário
Jujuba diz:
e dia 4, o que diz?
Aninha diz:
vou olhar
Aninha diz:
Dia 04 - Tenha a idade que tiver, o nativo do dia 4 parece ter no mínimo 60 anos. É um "velho" por natureza. Tradicional e conservador, não se adequa facilmente às inovações. Essa personalidade é ideal para o mundo dos negócios. É um trabalhador incansável. Poderia ter como ocupação secundaria a música, a pintura ou a escultura.
Aninha diz:
combina?
Jujuba diz:
não... só sobre trabalho
Aninha diz:
é.. o meu também... hunft! essas coisas me confundem.
Jujuba diz:
kakakakakakaka
Aninha diz:
acho que eu sou do tipo que segue o horóscopo... se ele não tem nada a ver, eu faço com que tenha
Jujuba diz:
eu também. interpreto as coisas, vejo metáforas em quase tudo. mas se for ruim eu não acredito.
Aninha diz:
só deixei de acreditar na sorte que aparece no orkut no dia em que disseram que eu e minha mulher seríamos felizes



último romance
Los hermanos

Eu encontrei / quando não quis / mais procurar / o meu amor / E quanto levou / foi pr'eu merecer / antes um mês / e eu já não sei / E até quem me vê / lendo o jornal / na fila do pão / sabe que eu te encontrei / E ninguém dirá / que é tarde demais, / que é tão diferente assim / Do nosso amor / a gente é que sabe pequena / Ah vai / Me diz o que é o sufoco / que eu te mostro alguém / a fim de te acompanhar / E se o caso for de ir à praia / eu levo essa casa / numa sacola! / Eu encontrei / e quis duvidar / Tanto clichê / deve não ser / Você me falou / pr¿eu não me preocupar / ter fé e ver / coragem no amor / E só de te ver / eu penso em / trocar a minha TV / num jeito de te levar... / A qualquer lugar / que você queira / e ir onde o vento for, / que pra nós dois / sair de casa já é se aventurar / Ah vai / Me diz o que é sossego / que eu te mostro alguém / a fim de te acompanhar / E se o tempo for te levar / eu sigo essa hora / e pego carona / pra te acompanhar

postado por: juli morré 12:51 PM

Passo a bola:


Hoje é dia do amigo e, por ironia da vida ou do destino, nunca me senti tão sozinha. Quando olho para o meu círculo de amizades, enxergo poucas amizades sinceras, sensíveis, desapegadas de interesse e dispostas a caminhar comigo. Colegas de balada, tenho várias. Não me servem todo o tempo. Preciso de amiga em tempo integral, lembrando que ser sempre amiga, não é encontrar todo dia. Alguém que possa me ouvir, que fale também, divida comigo momentos de alegria e tristeza, que me aceite como sou, me dê colo, carregue minha cruz comigo, reparta o peso sobre os ombros, como eu faço quando me disponho a ser amiga. Quem me lê assim, deve estar pensando: "Quanta penúria!". Engana-se. Minha vida não é só sofrimento e nem eu sou nenhuma coitadinha, mas a verdade é que eu cansei de ser a boazinha de todas as histórias. Eu sou sempre aquela que estende a mão, cede o lugar, tenta entender, tenta ajudar. Quantas e quantas vezes eu coloco de lado aquilo que sinto respeitando o que o outro sente? Mas amizade é estado de graça, ninguém pode cobrar de alguém uma postura que não reflita aquilo que a pessoa é, aquilo que a pessoa sente. Às vezes eu acho que eu me cobro e espero demais. Espero dos outros, espero nos outros. Uma esperança ingênua que de tão pequena deixa de ser verde, chega a ser incolor. Eu... Quando penso em amigos, tenho um aperto no coração.

postado por: juli morré 9:58 AM

Passo a bola:


Terça-feira, Julho 19, 2005

Entrando no clima de viagem boa, de saída com os amigos, de muitas gargalhadas, de férias, começo hoje o Piaca's hits. Uma música depois de cada post (só nas férias), e como semana que vem tem show do Roupa Nova, hoje não poderia ser diferente. Aliás, conversa de ontem: Yuri, você tem noção da vergonha que você vai passar comigo no show? Eu tenho, por isso que eu chamei minha mãe para ir junto. Além disso, eu vou beber muito, e o que eu não lembro eu não fiz. Depois disso já conseguimos juntar mais umas cinco pessoas para integrar a nossa turma do gargarejo. Tudo de bom!!!

volta pra mim

Amanheci sozinho / Na cama um vazio / Meu coração que se foi / Sem dizer se voltava depois / Sofrimento meu não vou agüentar / Se a mulher que eu nasci pra viver / Não me quer mais / Sempre depois das brigas / Nós nos amamos muito / Dia e noite a sós / O universo era pouco pra nós / O que aconteceu / Pra você partir assim / Se te fiz algo errado, perdão! / Volta pra mim / Essa paixão é meu mundo / Um sentimento profundo / Sonho acordado um segundo / Que você vai ligar / O telefone que toca / Eu digo alô sem resposta / Mas não desliga escuta / O que eu vou te falar / Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir / Ter você é meu desejo de viver / Sou menino e teu amor é que me faz crescer / E me entrego corpo e alma pra você.


Ps - Eu digitei "Roupa Nova" no google procurando uma imagem legal e olha só a foto que apareceu. Não combina?!?

postado por: juli morré 10:32 AM

Passo a bola:


Segunda-feira, Julho 18, 2005

E para quem quer saber como terminou a história, foi mais ou menos assim:

Então, ele entregou para ela uma grande caixa com uma garrafa de champagnhe, morangos, um livro sem dedicatória e um cd, sem nada gravado. Ela tentou entender o motivo da comemoração e colocou o cd para tocar. No silêncio, percebeu que aquele cartão já dizia tudo, tudo o que sempre se diz por aí nos casos que um dia a gente escuta ou vive. Desta vez, era com ela. Ela própria reconheceu naquelas palavras coisas que havia dito antes para outras pessoas. Decodificou que ele já a quis um dia, não a queria mais, e só. Ela então resolveu juntar os cacos do coração aos morangos e almoçou frutas doces e frias. Olhando nos olhos ela diria que é muito difícil. Sem olhar ela fica com a certeza do impossível. Guardou a garrafa de champagnhe junto com suas derradeiras esperanças, começou a ler o livro, foi dar sua última aula e pensou em Tiradentes. Ela tinha nos ombros o peso daquela bagagem, na cabeça, livros e mais livros de memória, no peito, algo entre ausência, ansiedade, medo, choro, dor, incredulidade, tristeza, incerteza. E tudo o que ela queria fazer em julho, era uma boa viagem!

postado por: juli morré 5:29 PM

Passo a bola:


Domingo, Julho 17, 2005

Ontem foi o casamento da Lu. Lindo! Lindo! Lindo! Eu, como toda mocinha que se preze, chorei. Meus amigos resolveram então comentar que ando muito emotiva nas últimas três semanas. Como assim? Todo mundo chora em casamentos. Isso não era justo... Ao que veio, de pronto, o resto da argumentação. É, em casamento pode até ser, mas ninguém chora porque a cerveja do copo está quente, porque o garçom não quis servir a saidêra ou porque teve que ir embora da Obra. Oh, God!

postado por: juli morré 7:50 PM

Passo a bola:


escreva um livro, tenha um filho, plante uma árvore

Neste mundo todo mundo quer amar e ser amado, contraditoriamente, as pessoas me parecem cada vez mais mal amadas e menos dispostas a amar. O mundo está cheio de guerras, desencontros, sofrimento, correria, ganância, e as pessoas preferem viver de pequenas felicidades, fugazes, a cultivar alegrias constantes. Cuidar da alma. Preferimos juntar dinheiro, malhar o corpo, sair com os amigos todos os dias, desregrar nossos limites. É que os relacionamentos são como plantas, dão um pouco de trabalho: precisam de água, sol, poda e até mesmo um pouco de chuva, pequenas tempestades. Precisam de bom adubo e dedicação. É muito mais difícil cuidar de um vaso do que de um buquê. Mas as flores do buquê, apesar de lindas e quase sempre parecerem melhores do que aquelas que podemos ver e fazer brotar em nossa casa, cuidar com nossas mãos, morrem logo. Não adianta trocar a água, colocar novalgina ou tentar plantar: ela não tem raízes, ela não é nossa, ela foi comprada, como outras milhares de flores naquele mesmo lugar, naquele mesmo dia. O vaso, não. A semente que começa tímida cria raízes, cresce, floresce. E quando passa a estação, quando os botões começam a cair, as flores a murchar e as folhas a amarelar, a gente poda, corta com cuidado as folhas velhas, tira as flores caídas e aduba, porque as raízes, fortes, se expandem e dão novos ramos, novas folhas, novas flores. Com o tempo, aquela plantinha pequenininha cresce e vai ficar ali enquanto tiver cuidado, enquanto tivermos disciplina. Às vezes o vaso fica apertado e ela precisa de mais espaço, então transferimos a pequena muda para um canteiro, para um jardim, para um campo. Ali, ela agradecerá crescendo mais e se tornando mais forte. Ali, as pessoas poderão olhar e, dizer "que belo trabalho fez este jardineiro, que bela planta". Ali, ela poderá perpetuar, lançar outras sementes e mesmo livre do vaso, ela será sua. A plantinha se transformará em árvore. Ela lhe dará sombra, frutos, e um lindo espetáculo em cada outono. Com ela você poderá aprender o ciclo da vida, as diferentes fases das pessoas nas estações do ano e dar, sem pensar em receber. Mesmo assim, ainda precisará de seus cuidados, precisará que lhe tire os galhos secos, que cuide bem de suas raízes, que a proteja de algumas ervas e animais parasitas, que espante os madeireiros. Isso, só você pode fazer por ela. Em compensação, em seu galho você poderá pendurar um balanço, em sua copa, construir uma casa de madeira. E a árvore ficará ali muito além de você, muito além de suas pretensões e de seus planejamentos. Os dois existem sozinhos, mas muita coisa poderia ser diferente (e certamente seria) se não fosse assim desde o começo. Quando se fala de amor, qualquer risco vale a pena e não existe alma pequena.

postado por: juli morré 1:02 PM

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Sábado, Julho 16, 2005

faz de conta

Não gosto mais desse tipo de livro. A menina fez beicinho e pronunciou cada sílaba com a gravidade que a descoberta exigia. Mas por que isso agora, minha filha? Porque na vida real não é assim. Por exemplo, e se a família do príncipe não aceitasse o namoro dele com a Cinderela? Eles eram ricos, a Borralheira, pobre, aposto como o rei e a rainha não gostavam nadinha dessa história. E se o príncipe encantado se apaixonasse pela rainha má? E se a Branca de Neve preferisse o lenhador? Então o que você quer é acabar com a magia dos contos de fada? Destruir todas as histórias? Não, papai, só as de mentira. Na vida real, nada funciona assim, ninguém é feliz para sempre. Deixe de bobagem, querida, e deite aqui no meu colo. Delicadamente, ele começou a desfazer os cachos castanhos, escuros, que contornavam aquela cabecinha de pele clara. A boca levemente franzida ou enrugada dava ares de anjo à pequena. Todos os dias o mesmo ritual se repetia e ele já havia se habituado a deixar do lado de fora do quarto problemas, trabalhos, vícios, medos. Não queria perturbá-la, não podia atingi-la. Instinto de preservação. De repente o silêncio se desfez numa pergunta tão rápida que sequer seus pensamentos conseguiram acompanhar. Você e mamãe achavam que seriam felizes para sempre? Sem querer ele foi sincero, por puro descuido das palavras ou do coração. Eu sim, a mamãe não. Mas por quê? Não sei. Na verdade ele sentia, mas não sabia. Nunca havia pensado nisso antes. Era sempre um "se" no meio do caminho, um descuido, uma mágoa guardada, um desejo incontrolável. Tantas diferenças. E amor era ter cuidado, ele sabia, ela não sentia. Amor é dia-a-dia. Ele tinha se esquecido de que a filha estava ali, aninhada em seu colo. Bom, porque algumas coisas a gente só vive, não sabe explicar. Mas para onde ela foi, papai, antes de morrer? A menina falou aquilo com uma naturalidade tão grande que ele se assustou. As lembranças eram constantes e presentes o suficiente para que ele se esquecesse, muitas e muitas vezes, que ela havia morrido. Será que quando as pessoas morrem para nós, nós também morremos para elas? Por elas? Ela tinha viajado, querida, para um lugar muito longe. É mentira que aquilo que os olhos não vêem o coração não sente. Ela precisava se encontrar. Achou melhor assim: arrumou as malas e se foi. Sozinha. Ele ficou preso no meio da bagunça que costumava organizar. Ele e a filha, pequenina como a razão. Ali, deitada no seu colo, a menina parecia um gigante. Ela tinha outro? Não sei, meu bem, papai nunca se preocupou com isso. Eu estava preocupado demais com a confusão dos meus pensamentos. Às vezes, aquilo que as pessoas sentem é mais importante do que aquilo que as pessoas fazem. Você entende? A menina revirou os olhos como se dissesse que estava cansada dos adultos e suas complicações. Ai... Ai... Ai... Agora ela queria voltar para a leitura dos contos de fada aos quais já se acostumara. Aquela conversa enfadonha tomara muito do seu precioso tempo infantil. Num impulso agarrou-lhe o pescoço como se fosse perdê-lo definitivamente, beijou-lhe a face e encompridou o braço para o chão, ao lado da cama, de onde recolheu o livro grosso, de capa dura e páginas coloridas. Boa noite! Agora você já pode ir, papai, quero ler sozinha as minhas histórias. Quando sair, feche a porta, mas não apague a luz porque tenho medo do escuro, lembra? Claro que ele se lembrava, como poderia esquecer? Ele saiu e a menina abriu o livro na história da Bela Adormecida. Os olhos espertos correram rapidamente as páginas até alcançarem o desenho onde a princesa, linda, jazia adormecida. A menina então olhou para todos os lados e cochichou baixinho, como se ela própria não pudesse ouvir: Oi! Psiu! Acorda! Eu vou te ajudar. Sabe por quê? Não é porque eu goste tanto assim de você, mas o fato é que eu não quero que termine como minha mãe. Na verdade, o que eu não quero mesmo é que o príncipe seja triste e infeliz como papai. Eu vou libertá-la. E dizendo isso colocou o livro aberto até a metade, como uma cabana, no chão, de novo ao lado da cama. Olha, agora eu vou apagar a luz um instantinho para que ninguém a veja fugir, nem eu. E então você estará livre: poderá sair daí, mudar de reino e decidir seu futuro acordada. Poderá andar por todas as histórias procurando o seu príncipe encantado. A menina apertou os olhos e disse: Não sei se você sabe, se alguém, algum dia, já lhe contou, mas existem muitos príncipes por aí, um para cada princesa, um para cada... Ela não percebia a fatalidade daquilo que dizia. Existe sempre um príncipe para cada princesa, e eles já se sabem juntos, antes mesmo de serem criados. Estará livre para ficar também, porque a vida real é feita de escolhas. Sim, nós temos livre arbítrio. Mas o melhor de tudo isso, é que você estará livre. Livre para adormecer, ser despertada por um beijo e depois ser feliz para sempre, como nos contos de fada.

postado por: juli morré 12:12 PM

Passo a bola:


Sexta-feira, Julho 15, 2005

amor não passa

Como é que a gente explica coisas que a gente não sabe explicar?

postado por: juli morré 10:05 AM

Passo a bola:


Quarta-feira, Julho 13, 2005

tudo passa o tempo todo

Medo, passa. Saudade, passa. Chuva, passa. Verão, passa. Impressão, passa. Frio, passa. Calor, passa. Dúvida, passa. Sonho, passa. Vontade, passa. Paixão, passa. Filme, passa. Tristeza, passa. Ferro, passa. Roupa, passa. Insegurança, passa. Desespero, passa. Felicidade, passa. Pomada, passa. Fantasia, passa. Vergonha, passa. Primavera, passa. Agitação, passa. Uva, passa. Banana, passa. Dor, passa. Ansiedade, passa. Outono, passa. Sono, passa. Dia, passa. Noite, passa. Preguiça, passa. Tormenta, passa. Vazio, passa. Carro, passa. Sentimento, passa. Tristeza, passa. Tempo, passa. Gente, passa. Momento, passa. Infância, passa. Ilusão, passa. Vida, passa. Beleza, passa. Trem, passa. Aperto, passa. Doença, passa. Imaturidade, passa. Ônibus, passa. Avião, passa. Sofrimento, passa. Alegria, passa. Raiva, passa. Mágoa, passa. Vento, passa. Inverno, passa. Fome, passa. Ilusão, passa.

Poeminha do contra
Mário Quintana


Todos esses que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão...
Eu passarinho!

postado por: juli morré 10:36 AM

Passo a bola:


Terça-feira, Julho 12, 2005

É engraçado como meia dúzia de palavras escritas, aqui, ali, conseguem acabar com você, com a gente, comigo. Mas são necessárias. Te salvam ou te empurram. E como disse um amigo, muito amigo, nessas horas é necessário firmar o pé para poder pegar impulso, nem que seja no fundo do poço.

Eu posso não ouvir muito bem, mas entendo perfeitamente as palavras que leio.

postado por: juli morré 10:55 PM

Passo a bola:


Segunda-feira, Julho 11, 2005

Eu gosto do frio e de todas as coisas quentes que podemos fazer nesta época do ano.



Ficar agarradinho.
Sentir uma respiração quente na nuca.
Tomar sopa.
Beber chocolate quente.
Ficar debaixo das cobertas até tarde nos finais de semana.
Assistir filme.
Esquentar pé com pé e mão com mão.
Ficar de molho em uma banheira de água quente.
Tomar banho de chuveiro escaldante.
Se agasalhar.
Parecer mais bonita por causa das roupas de inverno.
Jantar com vinho tinto.
Risoto bem quentinho.
Ficar com medo de tirar a roupa.
Esquentar as mãos numa lareira ou no fogão.
Ir para Tiradentes.
Manter o nariz de cachorro constantemente gelado.
Tomar sorvete com calda de brigadeiro saindo da panela.
Comer banana assada com canela, açúcar e queijo; strudell e pizza.
Ficar horas na cozinha, fazendo comida, se esquentando e aquecendo os outros.
Fazer raclette e fondue.
Comer bolo quente.
Soltar fumacinha com a boca.
Escrever iniciais e declarações nos vidros embaçados.
Usar cachecol, luvas e gorrinhos.
Fazer exercícios até suar.
Beijar muuuuuuuuuuuuuuuuuuito.

postado por: juli morré 10:04 AM

Passo a bola:


Jogo de futebol, Cruzeiro e Atlético, doze pessoas (amigos, pai, mãe e amiga da mãe), Nova Lima.

Ah, olha que gracinha de juíz...
O único Moisés que eu conheço que se deu bem foi aquele da Arca de Noé.
Futebol não é igual natação não, que você pode sair invadindo a raia dos outros.




E o Cruzeiro ainda ganhou de dois a um.

postado por: juli morré 9:00 AM

Passo a bola:


Domingo, Julho 10, 2005

Aninha diz:
é "de vez em quando"... ou "de vez enquando"?
Julli Morré diz:
separado
Aninha diz:
aff... eu sempre erro!
Aninha diz:
"de novo" tb, né?
Julli Morré diz:

Aninha diz:
ainda preciso aprender a aceitar essas coisas...
Julli Morré diz:
quais? as separações?

postado por: juli morré 12:44 PM

Passo a bola:


Adoro dias frios de sol. O céu fica tão lindo, que o corpo inteiro parece se espreguiçar para dizer bom dia. Os olhos da gente se perdem nesse azul infinito que dói. E de repente, a gente descobre que tinha vontades adormecidas de andar por aí e respirar fundo, só para se ter certeza de que estamos realmente muito vivos.

postado por: juli morré 9:14 AM

Passo a bola:


Professora de Literatura, 26 anos. Gosto de quase todo mundo, e de buteco também. Acredito na felicidade e no amor. Sou sincera, intensa, inteira. Eu espero, mesmo não tendo paciência. Escuto a mesma música várias vezes. Gosto de viajar. Adoro tirar retrato e comer sucrilhos de manhã (de tarde e de noite). Tenho mania de portas fechadas. Acredito na força dos deuses e respeito as religiões. Não concordo e não aceito as injustiças sociais. Quero quase sempre mais. Quando eu durmo, eu sonho. Sou hipocondríaca. Prefiro meu cabelo liso a anelado. Defendo a teoria que se aplica a todas as coisas nesta vida de que sem tesão não há solução. Leio muito, tudo e sempre. Não fico sem escrever. Uso roupas de oncinhas, zebrinhas, vaquinhas e animaizinhos afins. Quase sempre durmo tarde e acordo cedo. Parei de beber coca cola há duas semanas. Sou viciada em internet, filmes e companhia. Detesto ficar sozinha. Faço planos praticamente todo o tempo, mesmo aqueles que eu sei, não vou realizar. Tenho metas de futuro e ultimamente também tenho batalhado por elas. Sei reconhecer minha derrota e aprendi a tirar meu time de campo. Eu gasto muito dinheiro e aprecio bem as boas coisas da vida. Até bem pouco tempo, eu não gostava de flores, hoje, praticamente não fico sem elas. Diferente de quase todo mundo, só curto uma preguicinha na cama quando tenho alguém ao lado. Minhas dores doem muito. Sou muito ansiosa. Estou quase sempre rindo. Sou fã de uma festa temática ou de qualquer outra presepada neste estilo. Eu queria que minha vida fosse como um filme. Eu choro com finais sacais. Eu durmo assistindo dvd deitada. Eu babo quando durmo. Tenho tomado muitos remédios. Não vou mais usar tanta roupa preta. Fumo hoje o meu último maço de cigarros (de novo). Não vivo sem meus amigos. Já tive sindrome do pânico. Fiz yoga por dois anos. Estou gostando de fazer academia. Aprendi a cuidar mais de mim. Acho licor uma delícia, mas prefiro vinho tinto seco. Ou champagnhe. Perdi o fascínio por chocolates. Sempre mudo meu cabelo, mesmo que seja bem pouquinho. Amo sair de casa. Sou muitissíssimo medrosa. Tenho uma das cabeças mais duras do mundo. Eu queria que todo mundo fosse feliz. Falo demais. Ando rápido. Tenho bebido café sem açúcar. Queria que o mundo fosse iluminado por velas. Quando ajudo as pessoas, parece que ajudo a mim. Amo minha família. Conquistei sozinha meus espaços. Já perdi e já ganhei coisas várias nesta vida. Tem dias em que acordo louca para dançar, mesmo sabendo que eu definitivamente não sei como se faz isso. Eu caminho pela rua olhando pro céu, reparando na cidade e sorrindo para os outros. Sinto falta de beijo na boca, no pescoço, na barriga e nas costas. Tenho uma coluna que faz um "esse". Gosto mais de dar presentes do que de ganhar. Tenho dúvidas incontáveis, e mania de procurar respostas e explicações. Tenho uma saudade doida.



Esta sou eu, em mais um exercício de encontro.

postado por: juli morré 9:00 AM

Passo a bola:


Sexta-feira, Julho 08, 2005

Eu adoro flores. E acho que a vida devia ser assim: flores!

postado por: juli morré 10:20 PM

Passo a bola:


Ainda venta um pouco, mas ontem foi muito pior, foi muito maior. Fez frio, o dia mais frio do ano, e a terra tremeu aqui em Beagá. Acho que eu entendo a natureza, todas essas coisas, juntas, também acontecem dentro de mim. Hoje acordei e, de supetão, abri a janela pensando que ele poderia estar lá. É a força do hábito e a vontade de que seja tudo um pesadelo. Mas eu estava acordada, a janela aberta, varri a rua com os olhos, e não, não estava. Não iria adiantar eu dormir de novo, eu acordar de novo, eu tentar de novo. Uma, duas, três vezes. Então resolvi comprar flores, ir para academia, tomar banho e passar na agência de viagens. Agora só preciso decidir a data: Madri em 25 de dezembro, 31 de dezembro ou 8 de janeiro?

postado por: juli morré 10:33 AM

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Terça-feira, Julho 05, 2005

o prozac é o melhor amigo do homem
um pouco de humor negro não faz mal para ninguém

Nunca achei que eu fosse procurar por outro psiquiatra, mas dizem que quando se tem um trauma, o melhor é encará-lo de frente. Dessa vez também houve espera, mas não houve disputa, coração aos pulos nem brilho nos olhos, apesar das expectativas. E nosso encontro foi mais ou menos assim: bairro nobre, consultório claro, tudo muito sóbrio, menos eu. O homem de óculos e sem bigode, atrás da mesa, olha para mim. Cumprimenta de maneira simpática e serena, contorna o ambiente e vem sentar-se mais perto. Ele está disposto a ouvir, e eu a falar. Sabe o que é? Eu não consigo mais dormir e nem comer depois que... uma pessoa, esta pessoa, saiu da minha vida. Nesse momento as lágrimas escorrem. Soluço num choro convulso. Conversar faz bem, coloque tudo para fora. Pego o fio de Ariadne e sigo tecendo como Penélope, à noite desfaço meus sonhos antes que chegue o amanhã. As vozes vêm agora à cabeça como se acontecesse ali, em tempo real, tudo outra vez agora. E eu estou de novo embriagada de lembranças, tentando entender o que não se explica. Respiro fundo. Fecho os olhos. Busco a saída desse labirinto no qual me embrenhei. Um motivo, eu sofreria, mas entenderia. Assim, não. Eu aceito e ouço a repetição das palavras como um eco em minha cabeça, sei tudo o que ele disse, tim-tim por tim-tim. Eu sei, mas não entendo. É como se um dia eu fosse ao angiologista e ao avaliar os casos de varizes de minha mãe e a trombose de minha irmã, só pelo histórico familiar, ele me dissesse: melhor amputar esta perna enquanto ela ainda está boa porque depois pode ser muito pior. Olhe só, algumas coisas que podem aparecer daqui a alguns anos podem não ter remédio. Não há tratamento, fisioterapia, terapia, remédio ou cirurgia que preveja ou resolva isso: melhor amputar. E eu, leiga, paciente, não vejo outra alternativa. Desfaço-me de minha perna e passo a vida inteira mancando. Além do mais, agora pouco importa, não há como recolocá-la. Eu me adapto, afinal, existem próteses. E passo o resto dos meus dias feliz com minha perna mecânica, porque isso me poupa de me preocupar com o que seria de verdade. O mesmo poderia acontecer no consultório de um dentista, e então eu trocaria meus dentes por uma novíssima dentadura. Ou num salão, e eu arrancaria meus cabelos em troca de uma prática e belíssima peruca. Sempre se. É isso, doutor. Paro. Respiro. Da garganta seca não sai mais soluço, nem choro. Esfrego os olhos com as costas das mãos. Pobre menina! Um remédio agora tiraria todo o romantismo da sua história, a não ser que tomasse logo uma caixa. Mas deixe isso para depois, espere chegar em casa pelo menos.



a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou

[...]

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro
carlos drummond de andrade

postado por: juli morré 5:15 PM

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Outro dia estávamos discutindo sobre a troca de medicação da vovó, então perguntei para mamãe se ela tinha problema de coração. Fiquei surpresa com a resposta de que sim, a vovó tinha problema de coração. Quando perguntei qual, surpreendi-me ainda mais com a resposta: "Ela tem coração de velha, uai". E desde quando um coração velho é um coração doente? Pode estar cansado, machucado, reformado. Pode ser lento, esquecido e até esclerosado. Mas é muito mais forte que o nosso. Muito mais forte que o meu. Não sei se esse coração aqui aguenta tanto. Melhor que coração de mãe, só coração de vó. Trocados os devidos remédios, a vovó dorme bem. Eu não.

postado por: juli morré 4:52 AM

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Segunda-feira, Julho 04, 2005

Travesseiro quente me dá insônia. Parece que começa a esquentar meus pensamentos, minhas idéias, e, de noite, eu sempre preciso esfriar minha cabeça. A mim, já me basta o corpo em febre e os desejos como fogo.

postado por: juli morré 5:07 AM

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tatuagem
Chico Buarque e Ruy Guerra

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem
Quando a noite vem

E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina, salta e te ilumina
Quando a noite vem

E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas mas no fundo gostas
Quando a noite vem

Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mães, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sente

postado por: juli morré 5:05 AM

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Domingo, Julho 03, 2005

mania de perguntação

Não é melhor deixar para sofrer amanhã do que deixar para ser feliz amanhã uma vez que amanhã pode ser nunca?

paradoxo da efemeridade

Então para sempre nunca existe? Ou nunca chega?

postado por: juli morré 11:29 AM

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Sexta-feira, Julho 01, 2005

Algumas coisas a gente aceita, mas não entende. Como aquelas que o coração perdoa, mas não esquece à toa.

postado por: juli morré 1:06 PM

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