Quinta-feira, Junho 30, 2005
Os carros buzinam demais pelas ruas. As pessoas falam demais. Se houvesse menos barulho, haveria, talvez, mais encontros e menos desencontros. Fico pensando nisso enquanto ando pela cidade. Viver é muito fácil, a gente é que tem mania de complicar tudo. É bem assim. Mente quem diz que temos mania de pedir explicação. Temos mesmo é mania de criar confusão. Confundimos sentimentos, deixamos que nossos medos prevaleçam sobre nossos desejos. Ficamos com a boca aberta e a língua solta diante do beijo, mas não beijamos. O mundo é dos fracos e sobrevivem aqueles que conseguem resistir à vontade de dar a segunda face ao tapa por acreditar que ainda vale a pena lutar. Pura covardia. Sí, hay que endurecer... Você não deveria ter se entregado tanto. Não deveria ter abdicado tanto. Não deveria ter feito elogios, ter feito carinho, ter se feito presente. As pessoas gostam de sofrer, não gostam de gostar de quem gosta delas. Faça isso. Fale aquilo. Isto não pode! Imagine se eu não tivesse feito? Nunca mais o faria. Se a vida fosse mesmo o instante, lembrando-se que quando se morre é bem assim que acontece, num instante, deveríamos contrariar Guimarães Rosa e vivermos encantados em vez de deixarmos para assim morrer. Depois da morte não me importa, não quero um amor além da vida. Aliás, vida que só tenho uma. Mesmo que eu fosse um gato e tivesse sete, viveria uma de cada vez. Você já pensou que nunca mais vai ser madrugada do dia oito de janeiro? Nunca mais vai ser ontem? Todo dia vai ser ontem? Hoje já passou? O futuro nunca existirá? Só agora eu vejo que só o agora me importa. Ser míope num mundo cego é ainda mais difícil ... pero perder la ternura, jamás.
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juli morré
10:34 PM
Passo a bola:
Sessão DVD do Roupa Nova. Sim, eu sou baranga mesmo. Sou dramática, estou apaixonada, sofrendo, carente, triste, confusa, ansiosa, sem sono, sem fome, fico batendo na mesma tecla, canso as pessoas. E sim também, eu adorei os risquinhos de html.
volta pra mim
Amanheci sozinho, na cama um vazio / Meu coração que se foi, sem dizer que voltava depois / Sofrimento meu, não vou aguentar / Se a mulher que eu nasci pra viver, não me quer mais / Sempre depois das brigas nós nos amamos muito / Dia e noite a sós, o universo era pouco pra nós / O que aconteceu, pra você partir assim / Se te fiz algo errado perdão, volta pra mim / Essa paixão é meu mundo, um sentimento profundo / Sonho acordado um segundo que você vai ligar / O telefone que toca, eu digo alô sem resposta / Mas não desliga escuta o que eu vou te falar / Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir / Ter você é meu desejo de viver / Sou menino e teu amor é que me faz crescer / E me entrego corpo e alma pra você
não precisa perdão
Ai, ai, ai / Onde eu tava com a minha cabeça / Quando eu disse por favor, me esqueça / Eu já não te quero mais / Ai, ai, ai / Nem o último beijo eu te dei / Simplesmente eu me afastei / E você chorou demais / Ai, ai, ai / Hoje eu vou te contar a verdade / Não pensei que a felicidade / Estivesse tão perto assim / Hoje eu sei / Descobri a besteira que eu fiz / Na verdade eu só fui feliz / Quando eu tive você junto a mim / Hoje você tá feliz eu sei / Alguém te dá o amor que eu neguei / Hoje quem chora sou eu / Hoje o pranto é meu / Sei o quanto eu errei / Você me amou / e eu nem percebi / Só fui capaz de enxergar depois / Não precisa perdão / Eu assumo que não cuidei bem de nós dois
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juli morré
5:52 PM
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Um dia de cada vez.
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juli morré
7:38 AM
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Quarta-feira, Junho 29, 2005
Hoje eu resolvi dar aula de cabelo solto. Isso não é fantástico?
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juli morré
6:10 AM
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Terça-feira, Junho 28, 2005
E foi assim, chegando no colégio na segunda-feira que aqueles olhos sempre atentos e vigilantes de meus passos me surpreenderam com duas folhas de papel. "Olha, são textos que fiz. Depois você lê?" Leio, claro, sempre leio. Mas dessa vez imaginei depois, bem depois. Todo término de relacionamento é mais ou menos parecido, a gente sofre e pode depois se imprimir a alcunha de "experimentado", para sair por aí dizendo que isso passa. Na verdade, é isso o que ensinam pra gente: isso passa. Tudo hoje em dia passa rápido demais. Mas desta vez, não passa. Sei que quase sempre a gente também diz que desta vez é diferente. Mas eu nunca tinha sentido que desta vez seria diferente como eu sinto agora. Não é dor de término de relacionamento, não. Não é sentimento de perda, não é sensação de fracasso, não é egoísmo e nem histeria. Desta vez é medo. Não tenho medo de ficar sozinha, nunca tive. O medo que sinto agora é de perder o amor da minha vida. Não precisava ser agora, já, casamento, festa e baile. Precisava ser constante, só. Precisava ser carinho, ser cuidado, ser peito pra me fazer dormir na cama grande cheia de marcas e pegadas nossas. De repente, não mais que de repente, dos beijos fez-se espanto, do encanto fez-se o pranto. Se eu pudesse fazer um pedido, hoje, agora, eu pediria mansinho, baixinho: Me devolve meus sonhos, meus planos. Me devolve a minha história que eu ainda não vivi. E esse medo é de que um desencontro não valha tantos quantos encontros existiram e existirão. É medo. É medo do escuro. E hoje resolvi ler a folha de papel que estava guardada ali dentro do meu caderno, escrita provavelmente no final de semana. Eis que me surpreendo com mais uma história, como tantas outras histórias.
adeus amor
Ana Cristina Andrade
Havia apenas o ruído do vento por debaixo da porta e o velho lápis que deslizava rapidamente sobre o papel. Os pensamentos e perspectivas concentravam-se em um só objetivo: não ser frio demais. A tensão corria-lhe nas veias, e o medo que subia-lhe pelos pés deixava-o completamente desnorteado. De um lado, toda a ética de sua profissão, mas por outro, tudo aquilo que ele sentia - ou o que já não mais sentia, não sabia.
Sim, houve momentos lindos, que ele jamais esqueceria. Momentos em que perdera totalmente o controle. Momentos que o fizeram ter certeza de que era para sempre, de que aquela mulher de larga silhueta, deitada ao seu lado, era sua. Aquela mulher que, um dia, lhe afirmou, de todas as formas e olhando fundo em seus olhos, que era dele o seu mundo.
Então, como poderia dizer que não a amava? Ela que se mudou para a sua vida, homem. Ela, que lhe deu todo o seu carinho, todo o seu amor, todo o seu corpo perdido em boca, braços, pernas, coxas, ombros, seu colo. Sua confiança, sua companhia, sua amizade. Aquela que verteu todas as suas lágrimas por ti, que sorria a sua felicidade. Como dizer que não a amava mais?
Porém, ele insistia naquela idéia maluca de tirá-la de sua vida. Por mais que isso pudesse doer fundo, por mais que ela não pudesse suportar, por mais que ele soubesse quão errado estava... Ele que ainda amaria aquela mulher até o fim dos tempos, mesmo que fosse tarde demais.
E eu, continuo com medo.
Atenção: Este blog está saindo temporariamente do ar. Um mês, dois, não sei. O tempo necessário, o tempo suficiente, ainda não sei para quê, e se eu não entendo, não tente você entender. Não, definitivamente eu não entendo.
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juli morré
5:55 PM
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Domingo, Junho 26, 2005
É difícil entender dúvidas que não sejam nossas. Mais difícil ainda é se sentir perdida no meio delas, como se não fosse nossa também aquela história. Discorrendo ainda sobre os pontos difíceis, é difícil colocar as coisas no lugar: a escova de dentes, a pasta, os cremes, as roupas, calcinhas e meias, a pantufa o chinelo. Parece que nada mais reconhece o seu lugar, tudo perdeu mais ou menos a referência, ou direção, isso inclui, inevitavelmente, a cabeça e o coração. Vem de tempos meu estranhamento com o espelho, hoje eu olho e não reconheço meus olhos inchados, essa boca sem sorriso ou a descrença no olhar. Antes de ontem e ontem foram dias difíceis para mim, talvez os mais, regados a um, dois, três remédios para dormir. Não quero que me perguntem por que, porque na verdade não quero dizer. Preciso sentir primeiro, tentar entender. Já me fiz mais de mil vezes a pergunta básica: por que comigo? Por que assim? Por que agora? Comecei a entender o quanto a vida inteira pode ser curta, em alguns casos se restringe ao agora. Pensei em me suicidar no orkut, em assistir filmes initerruptamente até segunda, em dormir para não mais acordar, em parar de comer ou me jogar na frente de um carro para chamar atenção, mas nada disso resolve. Decidi então que eu vou, sim, para a Europa em janeiro, que eu vou, sim, continuar com a minha creche, com as minhas aulas, que eu vou, sim, enxugar os olhos, usar as roupas que há muito não me serviam e definitivamente tirar minha carteira de motorista. Mas não vou não, isso eu tenho certeza, nunca, tirar ele da minha cabeça. Às vezes queremos que um instante dure para sempre, e ele passa rápido. Outras vezes queremos que o tempo voe, e ele se arrasta.
Se eu fosse escrever uma história hoje, o enredo seria mais ou menos assim: Eles se conheceram sem se envolver, começaram sem perceber, terminaram sem querer e agora têm a vida inteira para se arrepender. Eu sei, ninguém ia ler.
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juli morré
9:12 AM
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Sexta-feira, Junho 24, 2005
Dói. Dói demais. Dói fundo e sufoca.
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juli morré
10:21 PM
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Eu não sei por que estou escrevendo isso agora, nem sei se deveria. Dizem que quando a gente tem um aperto grande desses no peito, o melhor é deixar passar. Mas meu aperto anda muito grande, grande, grande, grande... e fundo. Sabe quando você segura com as duas mãos um sabonete embaixo da água do chuveiro? Ele não escorrega, ele não pula da sua mão, mas ele derrete. E a água que era transparente, limpa, se turva, fica branca. A água vai caindo e o sabonete derretendo até acabar. E ele acaba. A gente sente as coisas, muito melhor seria não sentir, ou conseguir fingir que não vê. Não adianta nessas horas fechar o ralo, nem cerrar ainda mais os dedos da mão. Talvez adiante desligar o chuveiro, mas isso só se já não for tarde demais.
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juli morré
12:44 PM
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Quinta-feira, Junho 23, 2005
Sabem, eu trabalho demais, e é por isso que eu compro quantos dvds do Roupa Nova, celulares que tiram foto, livros de origami e passagens para São Paulo e Curitiba eu quiser. Ou o meu dinheiro der.
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juli morré
7:40 PM
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Segunda-feira, Junho 20, 2005
arruda, sal grosso, cabeça de alho e patuás
Se você está disposto a ser feliz, prepare-se. Muitas vezes é mais difícil ser alegre que ser triste. Dos tristes as pessoas têm pena, têm dó, têm compaixão; sentimentos que estão bem longe de serem nobres, puros ou verdadeiros, mas muitas vezes são incapazes, assim como aqueles que os sentem, de lhe provocar qualquer coisa além de asco e irc. Dos felizes as pessoas têm inveja. Inveja sim, é algo muito ruim. Eu sei que existe aquela inveja boa, que a gente queria estar feliz como a outra pessoa, mas geralmente o que existe é uma inveja muito ruim, corrosiva, que vai aos poucos, assim como um cupim, deixado oca a estrutura de qualquer relacionamento. A pessoa nem sabe que queria estar feliz como você, ela pensa que queria mesmo era que você não estivesse feliz. Essa gente quer tirar o sorriso da sua boca, o doce das suas mãos, um amor da sua cama, ou a bondade do seu coração. Ainda bem que a minha avó me ensinou um dia que nós somos como espelhos, não precisamos desejar o mal às pessoas para que nelas se reflita todo o mal que nos desejaram. Basta, para isso, desejar o bem sem olhar a quem. E acreditar, sem vacilar, na felicidade. A certeza é sempre o maior alicerce, a dúvida é sempre o maior inimigo. No final das contas, é melhor ser alegre que ser triste, a legria é a melhor coisa que existe...
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juli morré
7:45 AM
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Sexta-feira, Junho 17, 2005
Outro dia estávamos discutindo sobre a troca de medicação da vovó, então perguntei para mamãe se ela tinha problema de coração. Fiquei surpresa com a resposta de que sim, a vovó tinha problema de coração. Quando perguntei qual, surpreendi-me ainda mais com a resposta: "Ela tem coração de velha, uai". E desde quando um coração velho é um coração doente? Pode estar cansado, machucado, reformado. Pode ser lento, esquecido e até esclerosado. Mas é muito mais forte que o nosso. Melhor que coração de mãe, só coração de vó.
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juli morré
11:44 AM
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vista cansada
Eu uso lentes de contato. Na verdade, passo quase todo o tempo de lente. Assim, nem precebo que tenho problema de vista, e um problemão. Quando quero descansar meus olhos das lentes, uso óculos. Aí passo um tempão de óculos. Depois, quando volto para as lentes, por muito tempo continuo sentindo o peso da armação sobre o meu nariz. Acho que isso vai acabar me deixando vesga.
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juli morré
11:44 AM
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Quinta-feira, Junho 16, 2005
a descoberta do horizonte
É preciso uma tragédia na rua para que as pessoas redescubram as janelas.
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juli morré
8:25 AM
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Domingo, Junho 12, 2005
Namorar é fazer pactos com a felicidade,
ainda que rápida, escondida,
fugidia ou impossível de durar.
Carlos Drummond de Andrade
Eu gosto do Dia dos Namorados. E não digo isso só porque eu estou namorando e feliz da vida não, tive ótimos Dias dos Namorados solteira também. Era um dia especial para curtir as amigas, fazer um amigo oculto bacana ou até me dar aquele presente que eu queria há tempos. Era dia de reservar mesa e jantar em restaurantes caros, dando gargalhadas, chorando dores de cotovelo e lavando roupa suja na frente dos casais que não se decidiam entre beijar e olhar de cara ruim para aquela mesa estranha, cheia de gente esquisita que não se rendia aos sussurros impostos pela luz de vela e a música clássica na vitrola. É, isso já foi bom. Vivendo uma coisa de cada vez, a gente aprende a aproveitar todas elas, e descobre que tudo tem seu tempo (olha que isso é uma grande verdade). Também tive péssimos Dias dos Namorados namorando, alguns bem ruins sozinha, outros nem tanto, mas nada, nada se compara a passar o Dia dos Namorados fazendo nada, pensando em nada, ao lado daquele namorado com quem você tem certeza que passará os próximos, os outros, e ainda os últimos anos namorando. Simplesmente porque desta vez você sabe o que é amor. Sentar na mesa de café, comer rosca com canela, pão de queijo com presunto, tomar sodinha, andar pela pracinha, chupar sorvete de milho, roubar doce de amareto... amureto... amarulo..., fazer origami, alugar filme de tela-quente, brincar de fazer cosquinhas, comprar tênis igual, dividir a escova de dente, preocupar com o cobertor à noite, separar a roupa suja, dar um jeito na cozinha, morrer um pouco em cada adeus.
E que o mundo tenha mais namorados, todos os dias, vivendo poesia nas coisas e beijando o mundo com os olhos.
Este post é mais uma forma que eu encontrei de dizer: Rafa, eu amo você!
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juli morré
9:32 PM
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Quinta-feira, Junho 09, 2005
Foi bem assim, ouvindo uma música adequada, olhando as fotos da Ju e lendo o que as pessoas tinham a dizer sobre ela, que chorei. Chorei de soluçar, de não conseguir parar. Era choro de saudade, de tristeza, de medo, de felicidade. Era choro daqueles que dizem tudo. E então, entrei no mundo da Ju assim, meio sem poder. Viajei em suas palavras e no fim de tudo, depois de chorar, estava sorrindo. Ela é mulher-menina, não necessariamente nesta ordem. É professora e é inteligente. É maravilhosa por fora e por dentro. Sei que ela gosta de pipoca doce, de jujubas, de coca-cola bem gelada, de guarapan e de esfirra. Adora bombons, mas não gosta das joaninhas parafinadas que vendem na cantina do colégio. Gosta de comer melancia de garfo e faca, de pinha, de cacau e de morango com leite condensado. Sei que ela não dá aulas no colégio às sextas-feiras e que gosta de sair na terça (ou seria na quarta?) - na verdade, tenho certeza de que ela gosta de sair qualquer dia, quando tem uma boa companhia. Sei também que ela gosta de cinema e de gin tônica. Ela faz com que as quintas-feiras no colégio sejam melhores e aumenta a minha vontade de sentar ali, de nariz grudado no quadro, olhando e aprendendo com ela. Mesmo brava, continua linda. Ela ama crianças e não mede esforços para fazê-las sorrir. Ela não reclamou quando pedi que fosse minha "mãezinha" e me fez acreditar que morar longe de casa não é assim tão ruim. Ela me lembrou de como sempre gostei de Literatura e, além disso, toda vez quando escrevo, tenho mais cuidado em respeitar a gramática. Ela tem irmãos bonitos e uma mãe jovem. Seu namorado é psiquiatra, sua irmã é dentista e seus amigos parecem ser legais. Ela escreve bem, e possuí um blog onde já publicou um texto meu. Não se zangou quando eu disse que ela poderia ter chulé. É viciada em Internet e tem tempo para responder meus e-mails. Já fez tatuagem e mudou várias vezes o cabelo; porém, o prefere liso a cacheado. É fotogênica, tem um sorriso lindo e é bonita, mesmo quando acorda. Ela já morou na grande São Paulo e sobreviveu. Fez intercâmbio na Califórnia e fala inglês fluentemente. É poesia, é piada, é conto, é crônica, é texto; tudo em uma pessoa só. Ela usa orkut e MSN. Ela não gosta da Maria Rita ou do Caetano Veloso. Ouve Sidney Magal e também MPB. Gosta de cozinhar e de dar aulas. É boa em tudo aquilo que faz. Prefere botecos e Machado de Assis. Admira Carlos Drummond, Vinícius de Morais e Manuel Bandeira. Ela é católica e tem um Deus só dela. Tem uma girafa de pelúcia que é uma bolsinha de lápis e que se chama Antônio. Ela não gosta de mortadela e de pessoas que gritam. Ela não ama quem não a ama. Já passou por Tiradentes, Itabira, Cana Verde e outros lugares com os quais eu nem sonho. Ela acredita no Carpe Diem. Ela não tem medo de mudar, pois sabe que continuará sendo ela mesma. Não se preocupa com o passado e vive um dia de cada vez. Não gosta de chorar sem motivos, mas às vezes chora. Tem coisas que ela não sabe explicar, mas que sente muito bem.
Prometo, que no dia em que a Ju casar, eu danço!
Essa sou eu, por Ana Cristina Andrade (minha filhaluna no Colégio Arnaldo).
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juli morré
7:45 AM
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Quarta-feira, Junho 08, 2005
Às vezes eu acho que uso às vezes muitas vezes. Mas só às vezes.
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juli morré
11:04 AM
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Segunda-feira, Junho 06, 2005
é que narciso acha feio o que não é espelho
Tá bom, muitas vezes eu sofro sem necessidade. Não obedeço aos luminosos que dizem: chore agora pare de chorar. Não consigo viver bem quando vejo que alguém quer que eu seja um outro alguém que na verdade não sou eu. Tudo bem, não é bem assim. Também não sofro só por isso, sofro porque sei que anseiam e esperam em mim algo que não cumpro, que posso nunca cumprir. Que olham para mim e enxergam não aquilo que sou, mas os defeitos que tem aquela pessoa que não corresponde à idealização. Eu queria ser diferente em coisas várias: queria ser mais inteligente, mais bonita, mais magra e mais mais mais. Mas não sou, não sou, não sou. E isso só me incomoda quando incomoda as pessoas que amo. Me incomoda, talvez, por ver que as pessoas ainda têm a capacidade de se decepcionar por isso. Me envergonha. Me faz querer pôr a roupa (e agora eu entendo as pessoas que usam máscaras). Me faz começar a pensar de mim espelhos que na verdade nunca vi. Me faz ter medo do reflexo. Me faz ter medo de luz. Me faz chorar baixinho uma noite inteira.
e a mente apavora o que ainda não é mesmo belo
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juli morré
7:24 AM
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Sexta-feira, Junho 03, 2005
As coisas que eu mais gosto de comer são pipoca doce, chocolate, bombom de banana e de ameixa, kani, canudinho de doce de leite, risoto, penne. Mas quando eu abro a boca para falar, sai tudo errado.
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juli morré
1:20 PM
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Quinta-feira, Junho 02, 2005
Eu queria passar uma noite inteira acordada, só descansando. Mas eu sempre durmo antes.
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juli morré
8:32 AM
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