Explicando o inexplicável
Dádiva: Tudo que é dado com tanto amor e recebido com tanta felicidade que só sendo divino mesmo.
by Adriana Falcão
__________

"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."


Eu sou mais eu
Conto de Réis
Professora 24 Horas





Dias que passaram





Todo dia

.:Acervo Pessoal:.
.:Acidulante:.
.:Blues Curitibano:.
.:chfb in concert:.
.:Fratura Exposta:.
.:Memórias do Subsolo:.
.:Meu Mosaico:.
.:O dedo do Quevedo:.
.:O Mutante:.
.:Entre Pensamento e Expressão:.
.:Saudade do Presidente Figueiredo:.
.:Trash:.
.:Um ano e 11 dias:.
.:Verbetes:.
.:Wunderblogs:.

Sempre

Batom na cueca
Bavardage
Blog Filho
Blog Kálido
Cardiotopia
Da cólera ao silêncio
Entrelivros
Estranho no ninho
Flicts
MegaZona
Mundo Perfeito
Pensamentos Imperfeitos
Sarawah do Aguiar
Sem pressa pra viver
Síntese das antíteses
True Stories of Failed Loves
Tudo é lindo indo além
Udigrudi
Understand me...

Bons meninos

Bigornas
Clã Taves
Ensaio
Fenolfitaleína
Fred Campos
Simplesmente Nanda
Sutil como um paquiderme

Fotologs

AUA
pb0
Beth Frígida
Bioconcretismo
Massacration
Mix Box
Fotoblog
O Mutante
Arte Brasil
Trise Photo


Especiais

Biblioteca Nacional
CAPES
Florbela Espanca
Folha de São Paulo
Fraude
Getty Images
Literaria
Mar de poesias
Mulheres que amo
Net Papers
O Pasquim
Pin-up page
Poema Processo
Primeira Leitura
Rubem Alves
Sonetos
Vida Besta
Vista aérea de BH




Augusto Vieira
Despropósitos
Gargalo
Imageria
Luli
Michele







Sexta-feira, Julho 30, 2004

Eu poderia falar sobre sonhos, amizade, literatura, amor, filmes, olhos doces de cão, beleza fria de gato, irmãos, meus pais, casa, possibilidades, viagem, culinária, frio, festa, saudade, palavras, músicas. Mas não, hoje é o começo do fim de semana e isso para mim, por enquanto, basta.

postado por: juli morré 6:17 PM

Passo a bola:


Eu me fiz. Agora me deixa ver você?

postado por: juli morré 9:16 AM

Passo a bola:


Quarta-feira, Julho 28, 2004



Quero algo que me tire verdadeiramente o sossego. (...) a necessidade que comecei a ter de sintonizar-me com essa coisa que Borges disse não existir: o momento presente, segundo ele, é feito um pouco de passado e um pouco de porvir. O presente em si mesmo é como o ponto finito da geometria. O presente em si mesmo não existe. É um dado de nossa consciência, mas não é um dado imediato, e quando o percebemos depois de um tempo infinitamente pequeno, ele é passado, já deixou de existir.
Sílvio Fiorani, Investigação sobre Ariel

postado por: juli morré 9:25 AM

Passo a bola:


Terça-feira, Julho 27, 2004

Cordisverborragia



Em dias bonitos e frios de despedida, como hoje, eu sempre me sinto abúlica. Mesmo sem me despedir. Ou seria principalmente? E isso só acontece quando uma semana me parece uma eternidade.

postado por: juli morré 8:53 AM

Passo a bola:


Segunda-feira, Julho 26, 2004

O dia de hoje poderia se chamar espera. A noite, esperança. E este post, clichê.

postado por: juli morré 1:44 PM

Passo a bola:


Papai do céu, muito obrigada pelos amigos do namorado da minha irmã, pela gol, pelos computadores, pelos jantares indianos, pelos macarrões com molho de queijo, pelos cobertores, pelas camas de casal, pelos bons dias desalinhados, pelos beijos de manhã de tarde e de noite, pelo orkut, pelos telefones celulares, pelo messenger, pelos cds e dvds, pelas bandas de rock, pelos pubs, pelos aniversários dos amigos dos amigos do namorado da minha irmã, pelo namorado da minha irmã, pelos sanduiches, pelas torradas, pelos vinhos espanhóis, pelos games, pelos finais de semana perfeitos, pela vontade de fazer futuro, pelo ontem, pelo hoje e pelo amanhã. Amém!

postado por: juli morré 9:37 AM

Passo a bola:


Sexta-feira, Julho 23, 2004

Dilemas de uma revisora mineira em São Paulo



Roráima não existe. Rorãima talvez. Entre cólofon e colofão, eu fico com o português. Rimou.

postado por: juli morré 1:47 PM

Passo a bola:


De uma coisa eu não posso me queixar: São Paulo tem homens lindos. E muitos. São tantos que eu prefiro ficar . para não ter que escolher.

postado por: juli morré 8:50 AM

Passo a bola:


Quinta-feira, Julho 22, 2004

As coisas e as pessoas



Mário Quintana já dizia que as coisas não incomodam, mas as pessoas sim, se multiplicam, estão por toda parte. Estava eu então pensando sobre as coisas e as pessoas. E sobre as pessoas que gostam mais de coisas do que de pessoas. E o valor que as pessoas dão às coisas justamente porque elas vêm de pessoas. Não é isso o que a igreja faz com as imagens de santos? Mitifica as coisas. E nós as queremos sempre por perto. Não temos pessoas, mas temos fotos, fios de cabelo, uma calcinha, uma blusa velha, guardadas como gente. Aquele cartão de aniversário de três anos atrás, uma rosa desidratada de um buquê e autógrafos em velhos livros. Ninguém pega. Ninguém pode. Só nós. Isso, ali, no canto. Não, esse não. E o tempo vai passando. Aquele monte de memória acumulada vai pesando. E um dia a gente percebe que não tem presente porque todos os nossos atos, de uma forma ou de outra, estão amarrados ao passado. Mas isso já é outra coisa. Muitas vezes a gente deixa de ter vontade própria, é sempre o outro no meio do caminho da gente. Lembranças são boas, às vezes nem tanto, mas de qualquer maneira são uma parte do passado que não deixa de existir. Elas só não podem nos monopolizar. Mas acho que o grande segredo da vida (se um dia eu aprender prometo dizer como) é ser livre de coisas e de pessoas, desprendido do sentimento de posse que só traz egoísmo e ciúme. Quem ama, liberta, lembram disso? Quem ama pode deixar livre porque o amor rege o relacionamento. É aquela velha história do que tinha ou não tinha que ser. E quando tem que ser... o amor respeita mesmo querendo ficar perto, quer ser e fazer feliz, quer comer pipoca e ver filme até de madrugada, quer ficar sozinho amanhã de manhã, quer carinho debaixo do cobertor antes de dormir junto, quer certezas sem palavras, quer saber sem dizer. O amor me quer encontrar.

postado por: juli morré 1:31 PM

Passo a bola:


Ainda da série eu me orgulho de ser mulher.

"É difícil virar o rosto para Ana Mendieta."
Lúcia Guimarães

postado por: juli morré 9:12 AM

Passo a bola:


Da série eu me orgulho de ser mulher.

"... cores de Frida Kalho, cores..."
Adriana Calcanhoto

postado por: juli morré 9:06 AM

Passo a bola:


Quarta-feira, Julho 21, 2004

No sense

Em um livro antigo ela tinha se formado na PUC. No atual texto de quarta capa aparece USP. Alô? Eu gostaria de saber... a doutora fez medicina na Suíça?



O mundo é sórdido, deus canino, ainda bem que salvamos o mercado editorial. Aproveito e linko. Vamos invadir o Bloguistão.

postado por: juli morré 1:40 PM

Passo a bola:


Viver do Amor
Chico Buarque

Pra se viver do amor
Há que esquecer o amor
Há que se amar
Sem amar
Sem prazer
E com despertador
- como um funcionário

Há que penar no amor
Pra se ganhar no amor
Há que apanhar
E sangrar
E suar
Como um trabalhador

Ai, o amor
Jamais foi um sonho
O amor, eu bem sei
Já provei
E é um veneno medonho

É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário

postado por: juli morré 9:11 AM

Passo a bola:


Terça-feira, Julho 20, 2004

Presente de Dia do Amigo



Um é bom. Dois é demais!

postado por: juli morré 6:54 PM

Passo a bola:


Dia do Amigo

Querou. Aninha. Karina. Saulo. Pedro. Juliana. Ado. Bruninho. Paulina. Joana. Suzane. Francisca. Anderson. Letícia. Cláudio. Adriana. Paula. Luli. Bruno. Maurício. Ruiz Pablo. Piedro. Thiago. Beto. Carlos. Andréia. José. Nanda. Rafa. Maria Elisa. Isabel. Maria Lúcia. Marilena. Dudu. Andrezão. André. Karine. Marília. Cris. Janes. Chris. Guto. Felipe. Serginho. Tabi. Dani. Angelo. Marcelo. Lucas. Michele. Gi. Fernando. Affonso. Ina. Marcos. Sílvia. Mariana. Júlia. Bia. Priscila. Paulo.

postado por: juli morré 1:08 PM

Passo a bola:


When I fall in love



Ahhhh... o amor. Mais dia menos dia ele chega. E quando ele chega não vem só, traz uma mala repleta de medos, alegrias, situações, momentos de profunda esperança, outros apenas de riso fácil. Traz reprise de filme na bagagem, lembrança de livro de colégio. Ele chega e arma a sua barraca no quintal do nosso coração. Com o tempo a gente nem mais percebe que ele já está morando ali: tomou posse da terra. Cultiva, planta, colhe, vende e um dia, quem sabe, vai embora... aí, sim, o amor mostra as garras. Estava hoje conversando com um amigo, amigo desses muito queridos que a vida lhe dá de presente e você nem sabe se merece tanto, e ele me dizia de seu amor. O amor dele mora nos seus olhos. Sabe que deve ser muito bacana morar nos olhos de alguém? É sinal de que a gente não lhe sai da cabeça. É sinal que a gente lhe enche o corpo e transborda pelos olhos. Os olhos são as janelas da alma. Pode-se ver os sorrisos nas pupilas. Pode-se ver um coração na íris. O fato é que ele me falava das incertezas de seu amor. Não do que ele sentia, mas do que ele queria. Isso me lembrava outras histórias de outros amigos e, por que não, minhas mesmo. Eu também já amei uma vez. Uma, duas, três. Nossa, e como amei. Amar para mim, até então, era ver beleza mesmo onde ela não existia. O amor era completamente irracional, por isso mesmo era amor. A mãe de uma amiga de infância sempre me dizia: "o amor é cego, surdo, mudo e no seu caso tem paralisia cerebral". Acho que o meu amor estava tão doente que eu demorei anos para entender o que ela queria dizer com aquilo. Acredito que muitas vezes na vida nós amamos. Amamos nossos pais, nossos amigos, nossos filhos, namorados e até nossos bichinhos de estimação. Tem gente que ama coisas. Mas acredito que na maioria das vezes nós só achamos que amamos. E achamos tanto que chegamos a acreditar que é amor aquele sentimento ruim de posse, de dependência, de sofrimento, que dói, incomoda e não cessa. Então a gente pensa que só pode ser amor porque isso nunca aconteceu antes e nem há de acontecer de novo. A gente se esquece de que cada pessoa é uma pessoa e de que nada do que está acontecendo agora já aconteceu antes e nem vai acontecer de novo. Este é o momento. Nenhum sentimento é igual porque ninguém é igual a ninguém. Pois aí está a mágica do amor. A gente ama cada um de um jeito diferente e é certo dizer que cada um tem o amor que merece. E o amor é bom. Tem gente que precisa sempre de um novo amor para ser feliz e não percebe que a felicidade está no amor próprio primeiro. Tem gente que ama todo mundo e não entende porque é que se sente tão sozinho sem saber que amor é escolha. Tem gente que tem pressa de amar e não percebe que o amor é paciência. Tem gente que simplesmente ama e não consegue, nem precisa, explicar. Nada é fácil nesta vida, mas difícil mesmo é renunciar. Tentar buscar ser aquilo que a gente chama de feliz e os outros chamam de egoísmo. E eu pensava em como dizer ao meu amigo que eu entendia o que ele estava sentindo. Entretanto, como poderia ousar saber seus sentimentos. Nossa dor sempre é maior e nosso sapato sempre aperta mais. Minha pouca vida me deu experiência de uma vida inteira, e a única coisa que eu posso dizer é que um dia abri mão por pura fraqueza daquilo que eu achava que se chamava amor. Hoje eu vejo que não. Minha vida só a mim pertence e se eu não tomar conta dela, alguém fará isso por mim. Mas sem tanto cuidado e carinho. Só posso amar com ritmo, força e intensidade se eu sei o que estou fazendo e esse amor for escolha minha. O resto, aquilo que me faz sofrer, que me faz deixar de me ser, que pede mais de mim do que eu posso dar, que me faz sentir coisas que eu acho que talvez um dia eu não possa suportar, não, isso para mim não é amor. Não é o meu amor. Porque amor pra mim é... ahhhh... o amor é quando você quer, deixa e está pronto para amar. Amor é quando não importa se um dia, um mês ou um ano, você sempre acha que vai ser para sempre.

postado por: juli morré 9:18 AM

Passo a bola:


Segunda-feira, Julho 19, 2004

Post-it amarelo na parede



1. A obrigação de ser criativa é algo que naturalmente limita minha imaginação.

2. A frase é uma suruba de palavras.

postado por: juli morré 5:25 PM

Passo a bola:


Domingo, Julho 18, 2004

Wave

Vou te contar, os olhos já não podem ver: coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho. E sentada dentro do avião a menina enxugou as mãos pingando de suor na calça do moço ao lado. "É que eu tenho medo de avião", explicou. Então por que é que estava ali pela segunda vez no mesmo dia? "É que eu quero ver o mar. E tenho pressa." A menina bem sabia em quais olhos moravam o mar do Rio de Janeiro que queria ver. E se tinha medo de avião já não tinha tanta certeza assim. Com aquela idéia na cabeça era fácil chegar a qualquer lugar, não importa se por cima ou por baixo das nuvens. O vento não ultrapassava as montanhas do seu mundo, mas podia e bem sabia como dar a direção. Mesmo que só por algumas horas, a taquicardia valeria a pena. E valeria a pena a história passada e os dias que ainda viriam. Quando desceu no aeroporto, sem malas para carregar, se sentiu meio perdida. Da primeira vez é a cidade, da segunda o cais, a eternidade. Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar, e das estrelas que esquecemos de contar. O amor se deixa surpreender enquanto a noite vem nos envolver. Era muito grande o mar para caber dentro dos seus olhos. Ele se expandia, não sabia se conter. A menina então colocou o dedo e provou o gosto. Depois colocou a língua. Era bom. A menina então fingiu que ele era todo e só dela. Pegou um pequeno copo de vidro e, quando embarcou de volta, guardou dentro dele suas lágrimas colhidas pelo caminho de meses. Olhou bem e se sentiu contente assim. Tinham a mesma cor, o mesmo cheiro e o mesmo gosto do mar. Chamaria de lembranças, e essas ela poderia guardar. Para sempre. Foi tudo o que lhe restou daquela amostra de alegria. O resto é mar, é tudo que eu não sei contar. São coisas lindas que eu tenho pra te dar. Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho.

postado por: juli morré 7:03 PM

Passo a bola:


Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou o inocente
E porque se encontrou a tranqüilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se transfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.
Vinícius de Moraes



Por que eu volto
Volta-se porque ainda existem sonhos suspensos.
E porque existiram flores no caminho.

postado por: juli morré 9:54 AM

Passo a bola:


Sábado, Julho 17, 2004

Ganhei um livro de presente. Aliás, livros, ultimamente, têm sido tudo aquilo que dou e que recebo. Aquilo pelo qual vivo. Bom, voltando ao livro, àquele livro. O livro foi escrito por Marcos Rogério Menani e é, certamente, surpreendente. Quem vê o caderninho mal feito de espiral não imagina as histórias que moram em São Palavro. Uma delas, bem assim: pelo lugar. Pelo personagem. Pelo instrumento. Pela história. Não sai de mim.

Níldon Ázi jaz agora no crepúsculo
O trágico fim de um mito em Curitiba




Faz mais de trinta anos que a morte do trompetista e escritor paranaense Níldon Ázi é lembrada com espanto e saudade. Em 2 de novembro de 1965, seu corpo foi encontrado num matagal a oito quilômetros de Curitiba, cidade onde nasceu e sempre morou.

Acredita-se em suicídio. Com dois tiros de um revólver calibre 22 no baixo ventre, Níldon pôs fim a uma carreira que já se mostrava prodigiosa, chegando, na época, a ser considerado um dos maiores instrumentistas brasileiros, com possibilidades inerentes de prestígio mundial.

Este texto, manuscrito e com marcas de sangue, foi encontrado no local de sua morte, assim como uma caneta tinteiro e o trompete que o acompanhou durante toda a vida. Médicos legistas acreditam que o artista agonizou de três a quatro horas, tendo escrito o texto depois dos disparos. Níldon Ázi tinha 26 anos quando morreu.

Estampidos ecoam debaixo do sol quente dos trópicos, aço que finalmente fiz que me encontrasse, me fazendo sangrar e suar. Tóp, tóp fez, como batera espera às quatro da manhã, abrindo espaço para o túriz suóp de qualquer trompete arrasador. Lembranças. Boas, me entristecem agora que tudo sei indo embora. Irá. Irá comigo só, só eu dando de rupestre, de peste, de primitivo mestre: acabando covarde. Chão quente, que dói o pé e não adianta sacolejar. Dói, dói a barriga. Eu grito, grito ô jazz, ó suo! Sou negão, porra! Grito, mas ninguém lá, nem aqui. Aqui só sol, mato e o pé doendo. Eu só e os suóps fots tuz tilintando na cabeça cheia de memória. Não sabia que isso doía assim. Não dá nem para tocar mais. Nunca mais. É, quis jazer e aqui estou, nem sei ainda o porquê. Quê tudo isso? Andava agüentado demais. Bebida, malucagem, beiço de negra. Pêlo de branca, zonza de risada torta, rica de marido olhando, eu lá. Gostavam. Mas essa dor de cabeça agora, quase não posso mais escrever, me fazendo tiz-Qui-tiz tal jóia de ouro pulando nervosa em caixa de aço, abrindo caminho, xingando no ouvido da platéia para os séps suóps darem prazer. O prazer de ouvir jazz. Essa dor vai me matar, eu sei. Mas quero. Enchi. Drop zóps desde 5 anos, de falação jazzeira de pai, de tio, de vô, coisa de estourar madrugada dando risada com todos eles de dentão de Miles. Miles... Esse até esteve comigo, gostando do nosso som, faz pouco tempo. Quis me levar, não fui. O que eu quero, e falei a ele, éver tudo acontecendo aqui, pra minha gente ver, não eles de lá. Ê pai, não te dizia sempre? É, agora vou te ver e esperar Dizzy e Miles junto contigo. Uóp as drom: só bepop esfria minha cabeça nesse sol que mata. Lembro do som que me fez viver. Das quebradeiras, do estudo, das invenções de criança. Olho o meu trompete com sangue e tudo e penso se precisava. Mas ainda o bicho brilha bonito, quente e triste de eu ter tocado a última música de minha vida. Sozinho, acho que ninguém ouviu. Foi lindo... Aqui nessa luz que cega toquei Don`t blame me, do Miles, sotaque nosso, mais grosso e suingado. Bravo esse suingue. Só meu esse mexido de notas e sentimento. Também agora eu queria, só de relaxo, como gosto depois do som, uma pinga de balanço, ou rabo-de-galo, talvez uísque de madame. Tudo num estalo, quente, inferinzante. Fica alto, aqui no solzão, locaço, malhado meus refrões. Compasso de preto. Mas não adianta mais nada agora: só saber que tô aqui no mato agora, no sol, meu trompete, trabuco já longe, de raiva que senti, papel e essa caneta que ganhei do pai. Sabe, na fiz nada na vida: só escutei, toquei, li e escrevi. Nem bola joguei. Continuei assim até aqui no fim de mim. Acho que dor de sangue africano veio me buscar, me expiando de todo o nosso sofrimento nesse continente. Porque sempre toquei foi o choro de minha raça, voz da alma, de espírito antigo, de ouvido no tambor, de cor, de relinchar animal...

Sol me queima, tóps sóps faz, não sei o que escrevo, sei lá, tonteira, qualquer coisa até que a dor me mine e apague. Não dá mais para tocar, quase nem respirar, parece que quero fazer som aqui nessa folha. Ê sol, esquente meu trompete pela última vez! Rodo em Si de redemoinho, de dor-som no pensamento. Eu só, fazendo, por sina minha. Miles vem vindo, da estrada, poeira na frente, sapato e calça branca, sax na mão. Eu vejo, eu vejo! Camisão de seda vermelhona black jazz uuu! Brilhante e reluzente, sorridente no sul do Brasil. Miles negro de bala! Ta bravo comigo. Sei. Miles, sei, porra! Vem tocando, exagerando no agudo, fazendo zoar ouvido, floreando no improviso coisa que nunca ouvi...

Tudo tá parando, até a dor, até a luz. Acho que vou morrer agora. Dói de novo a barriga, bicho! Dói! Frio, frio. Frio no sol, ó. Meu Deus, não quero mais, não quero mais morrer. Sinto morte. Ouço até minha alma ofegando, sofrendo, respiração presa, no silêncio, longe do som do diabo que sempre ouviu. Medo dentro aqui. Paro agora de rabiscar, doendo minha mão. Vou dar descansada. Se alguém me achar vivo, me leve logo para meu tio. Morto, esqueça e me deixe com meu pai.


postado por: juli morré 6:03 PM

Passo a bola:


Sexta-feira, Julho 16, 2004

Treis pão de queijo um real.
Quatro pilha um real.
Treis isquêro um real.


A menina sacou a nota de um real da carteira e entregou ao rapaz.

Mas o quê a garota vai querer?

Ainda indecisa com a variedade de produtos e a facilidade do preço, a menina demorou mais cinco segundos antes de responder.

Quero uma pilha, um pão de queijo, um isqueiro e o meu troco de nove centavos.

postado por: juli morré 2:23 PM

Passo a bola:


Quinta-feira, Julho 15, 2004

O TEMPO TODO O TEMPO PASSA

Método revolucionário de se marcar o tempo: caras. E hoje eu estava atrasada um quarteirão.

postado por: juli morré 6:31 PM

Passo a bola:


Quarta-feira, Julho 14, 2004

A arte reversa da antipatia

Você pode até não gostar de alguém antes de descobrir que ele foi suspeito de assassinar aquele que está investido do poder executivo numa municipalidade. Depois fica impossível.

postado por: juli morré 6:17 PM

Passo a bola:


Atenção!

As pessoas jamais deixam o mesmo recado, idêntico, duas vezes, na secretária eletrônica do seu celular. Quando isso acontecer e você estiver dormindo, desconfie.

postado por: juli morré 6:09 PM

Passo a bola:


Terça-feira, Julho 13, 2004

senhora do meu destino
ou definitivamente preciso parar de assistir novelas

Eu ando carente de histórias. Eu ando carente das minhas histórias. Eu ando carente. Dentro do meu peito bate um vazio que não é ruim nem bom, é apenas vazio. Não é bem-querer, não é mal-querer, não tem querer. O tum-tum dá eco. Eu queria um amor me esperando na esquina. Na fila do cinema. No meio da rua. Eu queria o amor me esperando do outro lado da porta. Por isso ela está sempre trancada: para que eu continue acreditando que ele vai estar sempre lá.

postado por: juli morré 6:56 AM

Passo a bola:


Segunda-feira, Julho 12, 2004

ad vitam aeternam

eu tive medo. eu tenho medo. eu terei medo?

postado por: juli morré 8:17 PM

Passo a bola:



"Não tem disposição?
Não se trata de ter disposição.
Você é um operário
como qualquer outro:
se trata de ter horas de trabalho.
Então vá escrevendo, vá trabalhando,
sem disposição mesmo.
A coisa principia difícil,
você hesita, escreve besteira,
não faz mal.
De repente você percebe que,
correntemente ou penosamente,
você está dizendo coisas acertadas,
inventando belezas, forças."

Mário de Andrade

postado por: juli morré 10:44 AM

Passo a bola:


Domingo, Julho 11, 2004

Natureza morta capitalista

Algumas aves já se acostumaram a São Paulo: convivem bem com o monóxido de carbono, não têm medo do barulho dos carros, pararam de cantar e fogem de você se não tiver canjiquinha nas mãos. Isso é o que eu chamo de capacidade de adaptação ou teoria da evolução.

A (re)volta do frio

Azul é a cor do vestido de que mais gosto. O céu é azul. O mar é azul. Azuis estão meus dedos.

postado por: juli morré 6:19 PM

Passo a bola:


Chove lá fora. Se eu não tivesse tomado toda a coca-cola ontem, ainda teria refrigerante hoje. Quer metáfora mais perfeita para a vida?

postado por: juli morré 6:13 PM

Passo a bola:


Confissão

Eu canto no chuveiro.
Mas canto muito melhor quando estou sozinha em casa.

postado por: juli morré 10:24 AM

Passo a bola:


Sábado, Julho 10, 2004

da série o meu ponto de vista



tem gente que vê uma rotatória e passa por cima, mas eu prefiro contornar, devagar, um carro de cada vez, um dia de cada vez. tem gente que nem sabe para que serve uma rotatória, individualismo. este mundo é tão cheio de gente. ainda bem que ainda encontramos gente como a gente. / acho que entendi, tudo, do começo ao fim. um dia a gente descobre que amor é uma coisa assim: quando não se quer mais amar ninguém, pode saber e tomar cuidado, aí tem. / o ritmo, a força e a intensidade fazem com que os gostos pareçam tão diferentes ao nosso olfato que começamos a sentir sons pela palma das mãos... a menina achou que o sonho tinha sido ao contrário e, quando acordou, achou um gorro ao lado da cama. / 1. o tempo é apenas o ponto de vista dos relógios, acostume-se com isso. 2. se você parar de fumar imediatamente nascerá alguém no mundo para lhe substituir, pode ter certeza. por isso, quando quiser parar, não precisa se sentir culpado, o ciclo da vida é perfeito na sua natureza. 3. sim, se você parar de imaginar o mundo não só pode desaparecer como coisas muito mais terríveis podem acontecer. / é preciso ter fé. ter fé não significa achar que esta é a primeira ou a última vez, mas sim achar que vai ser desta vez. DEUS é o humano que existe em cada um de nós que faz divino aquilo que de nós emana. eu acredito na tentativa e tentando, eu acredito no acerto. querendo eu acredito no amor, amando eu acredito na possibilidade. / obrigada por todos os dias me fazer viver o dia todo eternamente. obrigada por fazer virar amor o amor que já vivia em mim. / eu imagino que pensam em mim, que sentem minha falta, que me querem por perto, que me amam ou me querem amar, que podem. imagino que nunca mentem ou se enganam, e nessa hora costumo abrir um sorriso enorme, como o gato da alice. e se quer saber, eu não quero saber se é o contrário...

postado por: juli morré 4:49 PM

Passo a bola:


Aqui neste profundo apartamento
Em que, não por lugar, mas mente estou,
No claustro de ser eu, neste momento
Em que encontro-me e sinto-me o que vou

Aqui, agora, rememoro
Quanto de mim deixei de ser
E, inutilmente, [...] choro
O que sou e não pude ter.
Fernando Pessoa

postado por: juli morré 11:41 AM

Passo a bola:


Sexta-feira, Julho 09, 2004

24 HORAS

Mal anoiteceu e eu já sinto um arremedo de saudade.

postado por: juli morré 6:56 PM

Passo a bola:


Li no Dies Irae e não consigo esquecer:



LI NO UOL E NÃO CONSIGO COCHILAR
Anéis de Saturno podem estar sumindo
Uma erupção de oxigênio atômico vista pela sonda Cassini trouxe a suspeita de que os anéis de Saturno possam estar sofrendo erosão. Se confirmada, os famosos anéis podem desaparecer em 100 milhões de anos.
Tudo é muito impressionante.

postado por: juli morré 11:11 AM

Passo a bola:


O mundo é cheio de gente. E no meio dessa gente toda tem muita gente bacana. Tá, tudo bem, também tem a turma dos nem tanto. Mas esses nem fazem tanta diferença assim. Pelo menos não para mim.

postado por: juli morré 11:03 AM

Passo a bola:


Quarta-feira, Julho 07, 2004



Eu sei, já passou. Eu fui. Para quem não foi tem o livro. Eu ainda não o li todo, mas eu gostei. Eu sei, parece com este banner aí. Eu?!? Imagina... Porque sim não é resposta. Eu, se fosse você, lia wunderblogs.com. Não. Eu não estou ganhando nada por isso.

postado por: juli morré 7:23 AM

Passo a bola:


Terça-feira, Julho 06, 2004



Todos nós precisamos de mudanças. Mais do que isso, todos nós somos agentes de mudança. Tem dias nos quais acordamos e este desejo que move toda a humanidade também desperta em nós. Alguns chamam isso de acordar para a vida. Uma famosa propaganda de colchões dizia ser necessário atentar-se para a qualidade desses porque 1/3 de nossas vidas passamos dormindo. Tem gente que passa muito mais do que isso sem precisar de bons colchões. E ninguém faz propaganda dos outros 2/3. Para morrer, basta estar vivo, compreende? E passar a vida sonhando acordado, para mim, também é não viver. Não vive de verdade quem não curte a dor e a alegria de cada momento, quem finge que não está acontecendo nada, quem não chora ou sorri quando sente que deve. Não vive de verdade quem não se arrisca, quem não acredita em alguém por puro instinto, quem não erra. Não vive de verdade quem não resmunga baixinho, grita quando sente raiva e depois, envergonhado, abaixa a voz para pedir desculpas. Não vive de verdade quem não desafia seus medos, mesmo que não os vença, quem não faz nada sozinho, por puro medo das responsabilidades ou egoísmo. Não vive de verdade quem não tem amigos, quem não respeita o próprio corpo, quem não aprende com os outros. Não vive de verdade quem não se dá uma nova chance, quem não trabalha com aquilo que gosta, quem não acredita em felicidade. Conheço muita gente com seus trinta e poucos anos. Muita gente bonita, bem sucedida profissionalmente e sozinha. Excluindo as festas esporádicas e os finais de semana, não cabem outras pessoas em suas vidas. Não há tempo, agora, para dividir. O agora é sempre reservado para poupar, planejar, projetar. Assim, quando forem mais velhas, terão dinheiro suficiente para comprar casas e carros. É uma pena que quando isso acontecer talvez já não tenham tempo suficiente para desfrutar de tudo aquilo que poderão comprar. Mas talvez, também, o resto de seus dias seja o bastante para se pensar naquilo que poderia ter sido e não foi. O homem criou todos os tipos de relógio para aprisionar o tempo, mas se esquece da força das horas, da fluidez dos minutos, da esperteza dos segundos. O tempo não pára, é irrepreensível e, muitas vezes, incompreensível. Nunca todos os relógios do mundo marcarão a mesma hora. Cada um tem seu tempo, e isso é peça chave na engrenagem que mantém em sincronia o universo. O meu desejo de mudança pode ser a mola propulsora do seu. Mulheres cortam e pintam os cabelos e as unhas quando rompem ou engatam relacionamentos. Marcam para começar o regime, entrar na ginástica ou parar de fumar na segunda-feira (ou no dia primeiro do mês) para inaugurar uma nova fase. Mas a verdade simples da vida é que às vezes acordamos com o pé direito, outras, elegemos o esquerdo para nos dar sorte. Tudo depende não só do desejo, ou do acaso: para mudar nós precisamos mais do que querer, nós precisamos fazer acontecer.

postado por: juli morré 10:32 PM

Passo a bola:


Fico balançando em frente aos olhos o marcador de livros comprado na exposição de Picasso. Parece com o marcador de livros comprado na exposição de Dali alguns anos atrás. Parece com o pêndulo do relógio. Mas nele o tempo é sempre passado. Aliás, existe tempo presente?

postado por: juli morré 6:14 PM

Passo a bola:


O Eu Sozinha nasceu para ser o meu blog de verdade, ou o meu diário não oficial. durante muito tempo funcionou como esta versão demo do Conto de Réis, mas agora vem assumir o lugar que é seu de direito. De hoje em diante, serei sempre Eu Sozinha Futebol Clube.



Escovar os dentes antes de dormir tira todo o gosto do chocolate da boca. E ainda tem gente com coragem suficiente para nos lembrar que isso evita cáries.

postado por: juli morré 6:55 AM

Passo a bola: