Eu Sozinha Futebol Clube
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Isto não é um blog, eu não sou eu e nem você está me lendo, entendeu?


Quinta-feira, Agosto 28, 2003

It is too late babe, it is too late...

postado por: Zu 1:04 AM Passo a bola:


Às vezes eu me sinto cheia como a lua.





caminhodefloresceuazul.jpg
avesnoceuazul.jpg

postado por: Zu 12:59 AM Passo a bola:


Terça-feira, Agosto 26, 2003

A minha vontade era de andar pelada na chuva, e não ficar pelada debaixo do chuveiro.


postado por: Zu 8:59 AM Passo a bola:


Domingo, Agosto 24, 2003







Ultimamente tenho que marcar hora até para falar comigo mesma. Acho que meus horários estão todos reservados para uma outra parte de mim.

postado por: Zu 8:42 PM Passo a bola:


Quinta-feira, Agosto 21, 2003

Haroldo de Campos +16/08/2003


postado por: Zu 7:46 AM Passo a bola:


Terça-feira, Agosto 19, 2003

POR VOCÊ
Frejat/ Mauríco Barros/ Mauro Sta. Cecília

Por você eu dançaria tango no teto
Eu limparia os trilhos do metrô
Eu iria a pé do Rio a Salvador

Eu aceitaria a vida como ela é
Viajaria a prazo pro inferno
Eu tomaria banho gelado no inverno

Por você eu deixaria de beber
Por você eu ficaria rico num mês
Eu dormiria de meia pra virar burguês

Eu mudaria até o meu nome
Eu viveria em greve de fome
Desejaria todo dia a mesma mulher

Por você, por você
Por você, por você

Por você conseguiria até ficar alegre
Pintaria todo o céu de vermelho
Eu teria mais herdeiros que um coelho

Por você...

postado por: Zu 9:23 AM Passo a bola:


Segunda-feira, Agosto 18, 2003

Fome
Priscila

No largo da praça arde a fome
Arde com o fogo do sol
Dói a fome!
Desgasta o solo do estomago
Como desgasta solo dos pés
O barulho já é som
E é dissonante como a vida
Como a fome vazia
Que corre aos becos da praça
Corre aos caminhos ocos da barriga
E desgasta
E desagrada
E faz choro, faz dor, faz desespero
Dentro do corpo, o aperto
Cola órgãos, cola paredes,
E a cola já não resolve
Nada mais há:
-Morte!



*****

Palavra Imortal

Vai palavra imortal!
rasteja os riachos do mundo,
te esperam com sede,
do teu efeito profundo

Vai palavra imortal!
Voa sobre cordilheiras,
cortas Alpes no ar
como cortam o mar as baleias

Vai palavra imortal!
Inspira-me como à Neruda,
à Cecília e Pessoa.
Enche-me de lirismo,de leveza
vai palavra; voa!

Vai palavra imortal!
Viajando em meus vastos caminhos
edificando toda a poesia
e a minha,
-lhe suplico!

Vai palavra imortal!
Respira tua natureza,
suga os celebres poetas...
Me esquece, me mata!
Mas vive minhas letras.
Cuida delas, ó palavra eterna,
que são tuas iguais.
Faça-as como ti:
-Imortais

Vai palavra imortal!
Prova-me que não pode morrer.
não bebe meus versos em vão
não os abandone minha deusa sem fim
para sempre haverão de viver
ou matarás logo a mim.

E-mail

postado por: Zu 8:27 AM Passo a bola:


Corpos molhados
Lcris

A pele exalava uma essencia cheirosa, sentia -me especialmente sensual
Sentia - me quente , a mão deslizava carinhosamente
Pelas pernas, a barriga , subindo até o pescoço....
O óleo que molhava a pele , preparava-me para a nossa noite
Você chegou, meu coração bateu forte , que saudades ...
Seguimos para o nosso cantinho
Beija-me , mais e mais , sinto o vai e vem da sua lingua na minha
Revivo as suas mãos explorando as minhas curvas , o toque ...
O breu atiça nossos instintos , aquece - nos ainda mais
Voce tira a minha blusa , eu tiro a sua , deita sobre mim , o teu peso ....
Nossas bocas coladas, nossa pele que implora contato , livramos das poucas peças que ainda restam
Voce me chama para o banho , eu digo sim, claro
Liga o chuveiro, a luz permanece ausente
A água escorre quente sobre nós....feche a porta
Em meio ao vapor , encontro teu corpo , percorro - o
Sentimos nossa pele macia voce me abraça e sou presenteada com teu sorriso
Vem o teu beijo guloso
As tuas mãos na minha nuca , puxando deliciosamente meus cabelos molhados
A tua mão no meu prazer , deliciosamente me provocando ....
Ajeito a perna ...eu quero voce , senti -lo cada vez mais
Fico tonta , encosto a cabeça para trás
Voce segura os seios .....acaricia-os , aperta , beija , percorre com a lingua molhada
Sobe e desce ...sobe e desce ...
Desce , e se esquece , saboreia com paixão o meu sexo
Os teus movimentos , a água que queima , a respiração que transcede
Gemo baixinho ...e explodo num grito de prazer ...
Trêmula estão minhas pernas ,o coração pulsa forte
Posso observar teu corpo
O teu peito encharcado , a agua que percorre o caminho absoluto
Os teus braços fortes , tuas mãos poderosas
As tuas pernas , tuas coxas gostosas e o teu ...
Não resisto ...desejo-o , anceio
Seguro -te e sacio -me , docemente sinto - o entre meus lábios
Movimento teu corpo , o meu
Deliciosamente eu cheiro a tua pele, invade meus sentidos
Voce desliga o chuveiro e me carrega para a cama
Umidos ....
Acaricia a minha pele fresca e vem ...
Nem sei por quanto tempo ficamos ali, que delicia
Como é bom fechar os olhos e me entregar completamente aos teus desejos
Como é bom ajeitar -me no teu peito
Respirar ...
Como é bom...sempre recomeçar
Adormecer exausta nos teus braços
A vida assim não cansa...

postado por: Zu 8:24 AM Passo a bola:


Domingo, Agosto 17, 2003

Minha Casa
Adolfo Colen

Você volta de sua viagem, chega cansada com bagagem pesada de couro marrom, e tem tanta coisa que gostaria de te contar. Minhas mãos se apertam em mil combinações de dedos, meus olhos se interpõem em variadas interpretações de desejo, mas não sei como dizer.
Se tudo na vida fosse fácil, se a cada lufada de ar leve de inverno não existisse um asmático, se toda emoção pudesse evoluir de um modo automático...
Mas devaneio, por ser minha natureza, minha profissão de fé. Rimo as coisas naturalmente, por acreditar que deveriam existir cadências mais harmônicas em nossas palavras, por ter fé em um equilíbrio entre o lírico e o mundano. Entre ser lúdico e simplesmente humano. Me desculpe, mas não consigo evitar.
Enquanto me abraça, sinto que foram poucos os quilômetros, mas muitos os anos. Você selou nosso destino em uma frase, em um beijo com gosto de lágrimas, com ranço do soro da verdade que me obrigou a tomar. Você partiu olhando para trás, trombou com os limites de seu mundo, e depois disso tudo retorna sem me perguntar. Sem ao menos me perguntar quais foram os limites do meu.
Como se fosse fácil rastrear nossas próprias pegadas, pisar cuidadosamente nelas de novo, pedir a última chance antes de desistir mais uma vez. Me fala que não é a mesma pessoa, e nesse aspecto realmente acredito em você. Não exijo muito da vida, além de que caminhe por ela sem ter que te refazer.
Você me conta da saudade de meus braços, das comissuras de meus lábios, da inquietação de minha língua. Quer impor a nostalgia, reencarnar uma magia, mas esses abraços já não são meus. São simplesmente fogos-fátuos que se insinuam pelas páginas do tempo passado, puras reverberações de uma música já datada de uma parceria conjunta que já morreu. Se impor pela intimidade com um corpo não traz de volta o combustível que realmente o moveu.
Não posso ficar parado enquanto tira suas roupas dessas malas, esperando encontrar gavetas de madeira antiga para as guardar, empoeiradas, esperando ocas o seu estilo para as preencher. Minha casa está toda abarrotada de renascença, de risos de crianças criadas com novo amor. Minha casa entrou em paz com seu próprio morador.
Da varanda vejo o caminho que vai ter que tomar, as ruas que vai ter que seguir, as esquinas que vai eventualmente contornar. É um mundo grande lá fora, entrelaçado de artérias pulsantes de sangue novo e carros velozes. E parte minha está correndo por lá também, entre os grandes outdoors da minha vida sem você.
Mas a parte que fica aqui entre esses quadros nunca irá te esquecer. Seu toque na decoração é uma pincelada forte na grande gravura, na imensa aventura de viver. Minha casa escolheu o próprio dono para proteger.
Nas intempéries do clima, seja no frio ou no calor, minha casa entrou em paz com o próprio morador.

E-mail
Cardiotopia

postado por: Zu 7:43 PM Passo a bola:


A carta
Priscila

Ivan saia do trabalho exausto e aéreo, andava pelas ruas sem medir os passos. A camisa bege amarrotada, a gravata folgada. Seu cabelo anelado parecia agora acorrentado pelo suor já seco e pelos dedos cansados que apertavam aflitos os fios entrelaçados. Ia caminhando em sua rotina automática até chegar em casa.
Ao avistar o portão do edifício já sentia um ar refrescante vindo dos mármores brancos do Play Ground, subia as escadas largas com cansaço e satisfação até atingir o tão esperado elevador que o levaria para a única tranqüilidade de seu dia, o descanso, o lar.
Abrindo a porta, logo ouvia o latido alegre de seu cão Joca, que pulava propondo atenção, Ivan abaixou-se por um instante para receber o carinho de seu companheiro, passou a mão rapidamente sobre a cabeça do bichinho e ergueu-se novamente estalando a coluna fatigada. Parado, largou a pasta no chão como se fosse desmoronar e olhou amplamente ao seu redor; a mesma visão, a mesma sala, pensava. Não conseguiria ir a diante, deitou-se no sofá como de costume e fechou os olhos pesados numa breve reflexão diária.
Seu desejo era permanecer ali imóvel por um longo período, até encontrar o real sentido, levantar-se num pulo de felicidade e sair correndo pelas praias em busca de mar e areia. Mas a fome apertava seu estomago e logo o tirava de sua fantasia momentânea.
Impulsionou sobre joelhos o corpo em cacos e andou até a cozinha. Abriu a geladeira; ficou parado por alguns minutos, em frente ao ar frio, olhando, olhando, olhando tudo o que havia a espera de umas bocadas, não conseguia elaborar o que seu paladar lhe suplicava. Fechou a porta e direcionou-se ao armário, fitou os poucos pacotes ali presentes, na verdade não queria nada, mas pegou uma embalagem de biscoitos salgados, abriu-a e devorou alguns por obrigação.
Seu corpo necessitava de água, qualquer forma líquida que o fizesse menos pegajoso. Tirou a roupa, quase que desesperado e se jogou debaixo da ducha fria, ali ficou dez minutos, meia hora, uma hora, até sentir-se inundado. Enrolou-se na toalha e olhou-se no espelho vertical do banheiro. Olhava seu corpo magro e alto, era um homem muito alto, tão alto que não podia ver seu rosto no reflexo, melhor assim, evitava sempre ficar cara a cara consigo, talvez por covardia ou medo, não se sabe bem.
Vestiu-se e deitou-se em sua cama frente à Tv, passava os canais rapidamente sem interessar-se em verificar o conteúdo de nenhum deles. Era como um ritual de sono, ficava ali naquele ócio até cair profundamente em seu aconchego noturno.
Ressonava com vigor, expirava todas as vozes ouvidas durante o dia, inspirava o silencio de sua paz caseira. Até que um barulho esfaqueou seu corpo adormecido. Não se moveu, em segundos voltou a acalmar-se, quando mais uma vez o estridor agudo o invadiu os ouvidos. Não queria mover-se, nem abrir os olhos, desejava que fosse um barulho de sua imaginação, um pesadelo, qualquer coisa que não o trouxesse à realidade. Até que insistentemente o som se repetiu, e derrotado, Ivan levantou num pulo assustado e finalmente atendeu ao telefone.
Quem poderia ser? Talvez sua mãe ou, ou mais ninguém. Não costumava receber telefonemas, era uma pessoa sem muitos laços de amizade ou contatos familiares. No máximo saia com uns colegas de trabalho para jantar, ou conhecia alguma mulher interessante e pagava-lhe umas bebidas até decepcionar-se com a insensatez da sujeita.
Talvez fosse um pouco exigente em suas relações, mas não via motivos para mudar, seria mais uma adaptação ao natural que uma realização de seu próprio desejo.
- Alô! Disse instantaneamente. Mas um silencio reinou do outro lado da linha. Então repetiu:
- Alô! Em um tom mais forte, como se a pessoa que ligou não tivesse ouvido sua voz, porem não houveram reações ou ruídos.
- Tem alguém ai? Perguntou já sem paciência ou curiosidade de saber quem segurava um aparelho de telefone em algum lugar por ai com intenção de ouvir sua voz, ou seja lá o que for.
De repente uma música começou a soar longe, uma musica não conhecida, irreconhecível por estilo ou por autor, era instrumental.
Ivan não ouvia música, não que não gostasse, mas de fato nunca pensara em comprar cds para apreciar ou descobrir que canções lhe tocavam a alma. Mas por um acaso ficou ali por alguns segundos escutando atentamente cada acorde longínquo que infiltrava em seu tímpano. E em um ato brusco desligou o telefone desastradamente.
- Brincadeira de mau gosto, a essa hora da noite, é impressionante como ha gente que não tem o que fazer nesse mundo! Resmungou confuso e sonolento.Virou-se, ajeitou o lençol e penetrou em seu sono mais uma vez.
De repente o som tocou novamente, agonizante e áspero como antes. Abriu os olhos num choque e sentou-se rapidamente, olhou o quarto claro e arrumou os pensamentos em sua mente recém despertada pelo sonido. Dessa vez já era o alarme do relógio, que o informava a chagada da luz e de suas obrigações diárias.
Pronto para sair lembrou de encher o prato de Joca, provavelmente não viria para casa até a noite, e a faxineira, certamente não se importaria com a fome do cachorro. Joca era uma boa companhia, fazia festa quando o dono chegava em casa, fazia festa quando o dono acordava, fazia festa quando o dono o levava para passear, fazia tanta festa que o dono já havia se acostumado e não se alegrava tanto com a euforia do animal.
Depois de saciar a tigela funda guardou o saco de ração e novamente andou em direção à porta. Ao tocar a maçaneta gelada de metal, sentiu sob seu pé esquerdo uma pequena elevação que fez sua cabeça movimentar-se diretamente para baixo. Avistou um envelope azul e grosso, retirou seu pé de cima e pegou a correspondência. O que seria? Para quem seria? Perguntava-se rapidamente, virando para o lado do destinatário. Como se fosse mais importante saber primeiro se haviam realmente enviado-lhe uma carta, ao saber quem havia enviado-lhe uma carta. E para sua surpresa era o seu nome que estava estampado na frente do envelope.
Sentiu um tremor e uma ansiedade desconhecida. Desde onde sua memória possa o levar, nunca havia recebido uma carta, em um envelope tão charmoso e pleno como aquele.
Não é possível, exclamou silenciosamente, deve ser alguma propaganda de carro ou essas promoções corruptas de viagem. E em sua desilusão conformada abriu o objeto para verificar o que havia premiado o seu maravilhoso dia rotineiro. Era um papel de ofício branco, não parecia muito com os recibos ou anúncios coloridos que costumava receber. Abriu, e em um tom sarcástico leu em voz alta par si:

"Quebrar reta em esquina, quebrar mar em rio, quebrar calor em frio.
Cair, sentir o ardor, cair, sentir espinho, cair, bêbado de vinho.
Toda queda quebra o 'sempre' ao abrir caminho."


Ivan leu, releu e leu novamente umas seis ou sete vezes, não conseguia concentrar-se nas palavras ali escritas, pensava em quem havia lhe enviado aquilo. Seria um convite para o lançamento de algum livro de reflexões? Olhou todo o papel, frente e verso, não havia nada além daquelas letras minúsculas centralizadas na folha branca. Leu, agora a fim de associar o que aquele verso queria dizer, se é que dizia alguma coisa. Dessa vez as frases penetraram-lhe o peito como nunca nada o havia feito. Não que houvesse descoberto a intenção daquela mensagem ou o motivo de cada letra ali desenhada. Mas o andamento daquilo à interpretação de sua leitura tinha um movimento incomum, diferente de tudo o que já havia passado por seus olhos. Por um momento sentiu um sentimento glorioso assolando suas dúvidas. Mas logo olhou o relógio em seu pulso e percebeu o tempo perdido naqueles minutos intensos e estranhos. Guardou o papel em seu bolso, jogou o envelope sobre a mesa da sala e saiu de casa.
No trabalho executava sua função normalmente, eficazmente, sem nenhuma interferência causada pelo ocorrido da manhã. Era o tipo de homem que não costumava pensar em mais que um assunto ao mesmo tempo, nunca dava certo. No entanto, ao realizar um ato não consideravelmente produtivo, matutava em seu cérebro tudo o que tinha direito.
Na hora do almoço, saiu na rua para comer em algum lugar. Sentia mais necessidade de mudar de ambiente que matar a fome. Saindo do prédio onde trabalhava olhou ao redor para decidir qual dos restaurantes iria privilegiar, quase sem pensar direcionou-se para um de comida árabe aconchegante e calmo, onde poderia respirar um pouco antes de pegar mais uma vez no batente.
Sentou-se, fez seu pedido e estirou as pernas por debaixo da mesa, recostou-se para traz da cadeira, suspirou e entrou em uma espécie de transe. Pensou rapidamente em Joca, na faxineira, lembrou de sua mãe que havia completado sessenta anos na semana passada, e ele não tivera a gentileza de dar-lhe um mísero presente. E assim viajava em seus pensamentos lentamente, até deparar-se com a correspondência que havia recebido cedo.
Tudo havia parado naquele momento, tirou o papel do bolso e leu-o com atenção, leu muitas vezes, não conseguia parar, estava viciado no efeito que o galope das palavras o causava. Ele suspirava fundo e tornava a mirar as palavras, esquecia do mundo ao pousar os olhos naquele papel misterioso. Esquecia até de questionar-se sobre a origem do enviado. Até o garçom servi-lhe o almoço.
Agora, levando raramente algumas garfadas até a boca pensava o que era que aquilo estendido sobre a mesa, atiçando sua atenção, realmente significava. E nisso começava a delirar suavemente em sua imaginação.
Talvez ele fosse o escolhido por um budista, para servir de cobaia em teorias filosóficas. Ou talvez alguma mulher interessada, a fim de o impressionar. Ou até mesmo como em livros que passaram rapidamente por sua adolescência, como Cartas a um Jovem Poeta, em que lindas e intensas palavras são correspondidas de sábio para amador. Ou então como na obra de Joistein Garden, O Mundo de Sofia, que uma garota angustiada em sua juventude repleta de duvidas passa a receber cartas anônimas que acabam guiando seu caminho. Ivan em sua juventude era outro, mesmo que não pareça era um jovem que se importava com o mundo, com as artes, com os humanos. Mas as linhas tortas da vida o levaram ao homem entediado de hoje.
- Mas que tolice! Sussurrou de repente. Como posso me abalar com essa história? São apenas letras, umas coladas nas outras, formando palavras que ao unir-se a outras se tornam orações, logo frases e então resultam nesse verso ridículo. Só eu mesmo poderia fissurar-me em tal perda de tempo.
Mas de fato aquilo o havia tocado fundo, quando lia estremecia cada osso de seu corpo, como se ali infiltrasse um ácido ardido e ao mesmo tempo prazeroso.
Guardou novamente o papel em seu bolso, pagou a conta e voltou ao trabalho. De fato Ivan possuía a virtude de desligar-se de tudo ao exercer seu cargo. Esquecera completamente das linhas intrigantes. E nesse ritimo habitual, a noite ia se apossando do dia, engolia-o num passe de mágica, e já era hora de voltar para casa.
Ia andando lentamente, com a cabeça baixa, o paletó pendurado nos dedos apoiados no ombro. Ia caminhando e a gravata já estava desatada, a camisa branca parecia ter sido retirada de uma mala cheia de entulhos. Quando os cabelos embaraçados foram levemente movimentados pelo frescor do portão. Subiu as escadas e entrou no elevador. Ao abrir a porta Joca pulou de alegria soltando alguns eufóricos latidos emocionados com a presença do dono.
Ivan olhou a casa, cansado, massificado pelo estresse, entediado em seu cotidiano. A pasta soltou-se de sua mão quase que por conta própria. Foi direto ao seu quarto, onde tratou logo de refrescar-se na água fria, e após vestir-se sentou na cama. Fitou por um instante o controle da televisão, mas rapidamente o ignorou. Levou sua mão ao interior do bolso do paletó estendido na cabeceira de sua cama, retirou o papel e leu-o pela centésima vez.
Ficou ali parado por muito tempo, digerindo cada traço expresso no bilhete. Meditando ao ler tais palavras que mais pareciam mantras para sua alma. E nessa plenitude de tranqüilidade, nessa ternura do seu próprio encontro adormeceu.
Dormiu tão profundamente como nunca havia acorrido numa semana tão pesada como aquela, sonhou tanto que não poderia relembrar das imagens passadas por seu inconsciente. Apenas uma paisagem o acompanhou durante toda noite, até o sol devorar o escuro e os raios brilhantes invadirem a janela do quarto.
Havia sonhado com algo maravilhoso, que o fazia pestanejar de forma diferente naquela manhã, espreguiçava com ternura. Antes de tentar entender o que causara aquele efeito em seu estado, abriu um sorriso elástico de satisfação. Ha quanto tempo não sorria!
Pensava na sua noite, nos seus sonhos, lembrava unicamente de uma visão cheia de libertações. Lá estava ele, correndo na beira da praia, arrastando os pés sobre a areia molhada, fascinado, por finalmente descobrir e entender, que é realmente preciso quebrar as retas em esquinas.

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postado por: Zu 7:41 PM Passo a bola:


Duas Encantadoras Primas

Minha mãe tinha uma prima que era para ela, a irmã que nunca teve. Eram duas criaturas inseparáveis apesar de que não residiam na mesma cidade. Enquanto minha mãe morava e ficava internada num colégio de freiras em Petrópolis, sua prima residia e estudava no Rio. Durante as férias de verão elas se encontravam e as duas se revesavam nas suas visitas. Foi através dessa sua prima que a minha mãe veio a conhecer o meu pai. Quando a minha mãe faleceu eu tive a oportunidade de ler alguns dos seus manuscritos, alguns eram secretos, e mesmo apesar da caligrafia e da velhês do papel em que foram escritos, de repente eu me deparei com uma criatura que não conhecia mesmo. Acontece que ela e sua prima às vêzes se correspondiam numa escrita secreta, a qual utilizavam para descrever um sentimento de amor e dessa forma, protegiam aquele segredo. Eu desvendei o código delas o qual era muito simples pois não continha uma palavra chave, ou então, um crib, como se diz em criptografia. Entretanto, eu nunca conseguí saber donde surgiu a curiosidade da minha mãe pela arte da criptologia, o que veio a ser mais tarde, parte da minha vida. Foi algo fascinante de ler aquela passagem da sua vida, de saber das artimanhas que elas utilizavam para ter um encontro por acaso e com alguém que elas tinham admiração, alí numa das praças em Petrópolis. As suas descrições daquilo que pretendiam fazer durante as próximas férias de verão eram coisas do arco da velha. Lindo, muito cheio de detalhes. Hoje eu lamento o fato de nunca ter me esforçado por conhecer o que fora a sua vida de adolescente. Uma lástima mesmo.

Após concluirem os seus estudos elas começaram a trabalhar no setor educacional ¿ minha mãe em Petrópolis e sua prima, no Rio. Elas continuavam a se encontrar durante a temporada de verão e a maior parte do tempo era passada em Petrópolis. Elas se casaram, começaram a constituir família e ambas deixaram o trabalho. Outra lástima mas assim era a lei nos trópicos. A sua prima teve duas filhas e portanto elas eram minhas primas de terceira geração. Como a prima da minha mãe fazia quando estudava, as minhas primas vinham passar algum tempo conosco em Petrópilis durante as férias de verão. Por outro lado, minha irmã mais velha e eu íamos passar uma temporada com elas no Rio. Naquela época era mais comum viajar por trem entre Rio e Petrópolis. Chegando ao Rio e na Estação da Leopoldina, ainda trazia comigo a brisa da serra e o cheiro do carvão do trem. Entretanto, ao desembarcar na estação, aquela se dissipava com o vento do mar, outras brisas mais quentes e o calor. Do outro lado da estação havia duas fábricas, uma de açúcar e a outra, de café. Ainda hoje sinto aquele cheirinho bom. Aromas e cores são dois elementos que ficaram muito marcados na minha adolescência e portanto, guardados na memória que tenho dos trópicos.

Da Estação da Leopoldina seguíamos direto para a casa da minha prima. Era uma casa simples de dois andares e com vários quartos. Comia-se bem naquela casa visto que minha prima gostava muito de cozinhar, sobretudo de fazer comidas mineiras e baianas. Eu sempre pedia a ela para cozinhar um tutuzinho com torresmo, um lombinho de porco bem tostadinho, e doce de coco. Mas ela também fazia um doce de abóbora com coco e um outro de mamão verde..hummm! Havia sempre suco de cajú e maracujá naquela casa pois o pai da minha prima era do nordeste. Nos dois banheiros da casa havia, ou sabonetes Phebos, ou outros de lavanda. No segundo andar, além dos quartos e banheiros, havia uma peça muito ampla a qual era conhecida como o quarto da bagunça e era alí que eu me instalava pois tinha um sofá que se transformava em cama. Também, quando havia muitas pessoas na casa a minha prima fazia camas por terra. Mesmo apesar do ventilador tipo Casablanca, aquela peça no sobrado era sempre muito quente mas como éramos crianças e estavamos sempre correndo e brincando, a gente não se importava com aquele pormenor desde que houvesse limonada e guaraná geladinhos. Esse foi o período de infância, onde tudo era inocência. Os anos seguiam e eu regressava a casa das minhas primas. Crescíamos.

Na ocasião que terminei os estudo que na época era o curso de ginásio, o meu pai insistiu que eu fizesse exames de admissão para duas escolas militares e eu não sabia porque visto que não tinha aptitudes pela carreira militar. Nunca tive êxito naqueles exames. Como as provas eram no Rio, eu ficava sempre na casa da minha prima. Eu gostava de ficar no segundo andar da casa, num canto do corredor onde tinha uma bela e confortável poltrona pois aí sempre passava uma correnteza de ar muito agradável. Aí, recostado eu ficava a pensar numa das minhas primas que naquela época me deixava muito inquieto. Minha prima tinha muitas amiguinhas na rua e eu estava sempre no meio da sua roda vida. Brincavamos muito e uma outra amiga da dela já tinha também certos olhares para mim. Num belo dia de manhã, uma das amigas da minha prima veio até a casa para me entregar uma cartinha. Abrindo o envelope, eu fiquei perplexo com o que ví pois a mensagem aí contida era um cryptograma! Eu rí muito com aquilo e sorrindo, disse: "Vou decifrar esse segredo". A minha prima, a qual chamarei "India", desconhecia dois pormenores da minha vida. Uma delas e não obstante a minha idade, eu já havia comido uma mulher. A outra, a paixão que tinha pelo campo da criptologia. Subindo para o quarto, apanhei papel e lapis e comecei a decifrar aquela mensagem, a qual foi escrita na seguinte forma:

5 19 6 15 18 13 15 19 15 13 5 21 2 5 13

7 15 19 20 1 18 9 1 4 5 2 5 9 10 1 12 15

9 14 4 9 1


Esse era um simples código e imediatamente descobrí que o texto não continha uma letra chave que serveria como referência para abrir o alfabeto. Eu não acreditava que minha encantadora prima tivesse conhecimento de criptologia. Nesse caso, ela deveria saber que a criptografia necessita de proteção; da mesma forma que a carapaça protege a tartaruga, a tinta a lula e a camuflagem, o camaleão. Esse é um artifício empregado por aquela ciência como legítima defesa. Essa, é a lei de vida na arte da criptologia. Ao começar a trabalhar na transposição do código, encontrei um problema pois tanto o nome da minha prima, como aquele da sua amiguinha que voltava seus olhares para mim, continha cinco letras. As palavras não se formavam, fazia calor, eu já estava suando mas continuei trabalhando. Estava tão empolgado em decifrar de uma vêz aquele código que nesse dia não descí para almoçar e quando minha prima veio até onde estava para saber o que estava acontecendo, imediatamente abrí meus livros, escondí as folhas do papel que continha aquela intrigante mensagem, como também meus rascunhos da tradução. Eu disse a ela que tinha muita coisa a revisar mas que aceitava um suco de cajú. Ela voltou com um copo de suco de cajú. Por volta das três da tarde aquele cryptograma estava decifrado, e seria:

ES FORMOSO MEU BEM GOSTARIA DE BEIJA LO

I N D I A


E que delícia! Mais perigos dessa vida iriam rolar naquele minha fase de anjo-menino. Chegando a cozinha onde minha prima estava a ler um livro de receitas, eu disse a ela que tinha fome. Ela me perguntou o que gostaria de comer pois estava a preparar uma galinha ao molho pardo para o jantar, com um arroz muito folfinho. Para a sobremesa, doce de mamão verde! Aí eu respondí que um simples sandwich daria para o gasto. Nesse dia ainda pela tarde, cruzando pela minha prima num dos cantos da casa, eu a coloquei contra a parede e lhe beijei na boca. Ela respondeu, voltamos a nos beijar, e sorrindo, ela perguntou: "Como voce descobriu?" Sorrindo, eu respondí: "Um certo passarinho me contou!" Mais risos e beijos rolaram alí.

Muitos anos mais tarde e lendo a correspondência da minha mãe com a sua prima, eu também decifrei o seu código mas naquela ocasião isso não era mais um mistério para mim, pois nada é sempre o mesmo. Apezar do tempo e espaço, o código delas era bem mais complexo do que aquele escrito pela minha outra adorável prima. Nele, as transposições seriam:

A E I O U L M N R ... e o resultado nesse caso seria:

1 2 3 4 5 6 7 8 9

...e o resto das letras na sua ordem alfabética.


Voltando às minhas noites de estudo em vão, as vêzes a minha prima vinha até a poltrona onde estava sentado, começava a conversar e a me atiçar. Eu a puxava para mim, ela resistia, eu a puxava e ela caia sentada no meu colo, o corpo semi exposto, a saia aberta, a blusa desatada. Começavamos a descobrir os atalhos do prazer. Primeiro o contatato de nossas bocas, o doce toque, a entrega, o beijo, já mais ardente, sensual. Abria a blusa e olhava para aqueles seios durinhos de adolescente, tão pequeninos, tão lindos. Começava a beijar os biquinhos, chupava e mordia aqueles peitinhos enquanto a mão descia pelas suas pernas e acariciava seus segredos, por cima da calça. Os beijos e lambidas continuavam e meus dedos agora passavam a tocar diretamente naquela xoxotinha tão desejada. Minha prima dava gritinhos, eu colocava sua mão por dentro do meu calção, e ela apertava e alisava a cabecinha quente e latejante. Ela ria, gostava da brincadeira e dizia: "É comigo que tu sonha aquelas coisas?" Todas as noites, eu respondí e acrescentei: "Tenha medo não, mas eu quero te comer". Sorrindo ela dizia: "A mãe não deixa". Então eu acrescentava:"Deixa eu por na tua bunda?" Sempre sorrindo ela dizia: "Ah, não, a mãe não deixa!". E com essa história de que a mãe não deixa nós ficavamos somente naquela bolinação mas não chegavamos ao fim. No final da noite e antes de dormir, deitado na cama e exalando o perfume das partes da minha prima que estava entranhado nos meus dedos, e prestando atenção para ver se alguém se aproximava do quarto, eu me masturbava e gozava feito louco, pensando sempre na minha adorável priminha. Ao mesmo tempo, aprendia das minhas fraquezas sem entender ainda o que a vida esperava de mim. Doces tempos aqueles de uma saudavel adolescência. Fomos crescendo, e nossas vidas tiveram caminhos diferentes. Nunca mais nos tocamos e quando nos encontravamos, os beijinhos agora eram dados no rosto.

Muitos anos passados, eu residia no West Village, em New York. Morava num pequeno mas confortável studio em Downing Street e próximo do bairro italiano no Village. O edificio era um brownstone e portanto, de quatro andares. Num belo dia de final de inverno eis que o telefone toca e era a irmã da India. Brevemente, disse-me ela que estava vindo pra New York e perguntou se poderia ficar comigo pois não conhecia ninguém na cidade. Eu disse pra ela que morava num studio, ela não sabia o que era isso, e portanto, somente havia um sofá-leito. Ela disse que não haveria problemas e que não iria me incomodar. Ao desligar o telefone, eu virei para a minha gata, uma linda gata negra e magra, ao contrario dos gatos novaiorquinos que são todos gordos, e disse: ¿Pimpinstrela, vamos ter companhia e eu penso que voce terá que buscar um outro lugar para dormir¿. A gata me olhou com aqueles olhos muito abertos e miou. Numa bela mas fria manhã de começo de primavera, eu tirei o dia livre no trabalho e fui até o JFK esperar minha prima. Ela não havia crescido muito mas guardava ainda aquele aspecto de menina dos tempos da nossa adolescência. Entretanto, ela era agora uma menina-mulher que veio de um sonho. Foi uma delícia vê-la passar pelas portas que separam a área da chegada das malas e o grande público que está a espera de um querido familiar ou uma amizade. Nos abraçamos alí no meio de todo mundo e nos beijamos na boca ¿ um beijo suave, terno, delicado, mas sedutor também. Um outro beijo, e esse já mais sensual. Eu tive uma certa centelha pois ela já havia colocado as cartas na mesa. Ao entrarmos no taxi ela começou a falar e só parou quando o carro chegou em frente do edifíco onde morava. Ao entrar no apartamento ela se deparou com a pequena dimensão do espaço e com a Pimpinstrela que vinha sempre a porta quando eu chegava. Uma das primeiras providências que tomamos foi a de comprar algumas roupas para ela pois aquelas que trazia não iria dar para o gasto. Ela adorava tudo e fazia mil perguntas. Que coisa! Passamos quase todo o dia na rua, saímos para jantar e naquela noite, fizemos amor.

Naquela época eu estava a sair com uma das minhas vizinhas que morava no apartamento acima do meu. Susan era uma judia magra, muito magrinha mesmo e fazia dança. Saíamos muitos, visitando museus, vendo novas exposições, íamos ao cinema, caminhavamos pela cidade nos fins de semana, saíamos para jantar mas nunca fomos para a cama ainda que eu já havia insistido. Antes da minha prima chegar eu disse pra Susan que uma prima minha viria passar algum tempo em New York e ficaria hospedada comigo. Sua primeira reação foi a de perguntar onde ela iria dormir. Certamente comigo e a Pimpinstrela, respondí. Ela riu. Como o apartamento era um studio, não havia separação entre a cozinha e quarto-sala. Ao lado disso, havia também um corredor com um armario de parede e estantes, e o banheiro. Era tudo como espaço. O apartamento era de fato muito pequeno mas aconchegante e havia sido decorado pela minha primeira esposa que lá residiu quando nos separamos. Na parede da cozinha e justamente acima do fogão, havia um respirador que estava na mesma direção dos outros apartamentos. As vezes a gente escutava certas conversações vinda dali do respirador uma vêz que o som se conduz no espaço. Entretanto, isso nunca me importou porque a televisão ou o rádio estavam sempre ligados. O curisoso disso tudo é que a Pimpinstrela gostava de sentar no balcão e ao lado do fogão, prestando muita atenção aos possiveis ruidos originados daquele respirador. Os gatos são incriveis criaturas.

As noites foram muito inquietas durante a estadia da minha prima. Ela era tentadora, estava alí e queria revisitar a época quando então eu tinha sonhos de desejo pela sua irmã. Sua camisola e calcinhas eram minúsculas. Seus peitinhos eram durinhos e os biquinhos voltados para cima, sua bundinha redondinha e a xoxotinha semi depilada. Sua mão rodeiava minha boca, brincava com meus cabelos, meus pêlos, meu pênis. As unhas raspavam de leve, tinha um riso suave e me cobria de beijos. "Ai, meu querido, vem, vem depressa e em fogo me consome...me tem". Ela adorava vir por cima e fazia tudo que queria: rodava, subia, descia, se jogava para trás; que delícia! Eu adorava acariciar, apertar aqueles peitinhos, como também a sua bundinha. Nossos corpos flutuavam na cama e gozavamos feito loucos. Depois de se amar, dormíamos juntinhos, com a Pimpinstrela ao nosso lado. Que importam idade, parentesco e outras coisas mais. Eramos apenas um homem, uma mulher.

A estadia da minha prima estava por terminar e num belo dia de primavera eu a conduzí ao aeroporto. Nos abraçamos e ao se despedir, numa baixa voz e com gotinhas nos olhos, eu acrescentei: "Vou sentir saudades. Adeus, prima." Desde então, nunca mais a ví, e de tempos em tempos, e através de uma das minhas irmãs, tenho notícias dela.

No dia seguinte, ao encontrar a Susan, ela me perguntou: "Aquela era mesmo sua prima, como era mesmo o nome?"

E eu sinto como se o universo tivesse me dado uma catucada. Recordando minhas histórias de vida e sonhando com o pôr do sol das almas na Serra, eu escreveria:

Para minha querida mãe, como também para minhas adoráveis primas

QXQF VFLR TXLG VLWD PRUA


*****

Paulo R. Rezende was a UNDP staff member in New York His other secondments were assignments with the United Nations Peace Keeping Operations in Namibia, Angola and the Golan Heights. Presently he is living in Toronto, Canada.

postado por: Zu 7:25 PM Passo a bola:


Mozambique Memories: Across the Generation

In 1993, when the former Field Operations Division (FOD) offered me a post with the United Nations Operations in Mozambique (ONUMOZ), I was extremely excited. At that time I was working with the United Nations Development Programme (UNDP) in New York. The job with ONUMOZ was going to be my third duty tour with FOD. The assignment was also going to bring back memories from my childhood in Brazil. My first recollection of the name Mozambique was when I was about seven years old. On that occasion, before the outbreak of the Second World War, my grandfather sailed from Rio de Janeiro to Mozambique to hunt big game at Gorongosa National Park, bordering the provinces of Manica and Sofala in the country¿s Central Region. In the beautiful coastal town formerly know as Lourenço Marques, my grandfather rendezvoused with two friends who had sailed down from Lisbon. They met at the Polana Hotel. After their long and tiring journey, they looked forward to a sojourn of about a week in that majestic hotel.

The Polana remains a grand colonial-style structure that was built on spacious grounds. This 78-year old hotel, with its elegant rooms and sea view, is considered among the finest in Africa. It is set amidst tall swaying palm trees and landscaped gardens. White wicker-chairs, folding chairs, footstools and side tables gracefully surround the swimming pool. Negotiations of all kinds are conducted over lawn tables. In this pleasant atmosphere, my grandfather and his friends made the final arrangements for their hunting trip to Gorongosa Mountain region, via the port city of Beira. From Beira to Gorongosa National Park the journey was by rail. My recollections of his journey were from photographs of the trip and from trophies of the wild. (In those long ago days, before concern for Africa¿s endangered animals became of paramount interest to governments and private groups alike, worldwide, it was not unusual for a hunter to display his skill by way of mounted antelope heads, for example, or even the stuffed entire body of a large carnivore such as a lion.)

Perhaps the most fascinating of all, however, were the long stories about Mozambique¿s bushland. My grandfather also had many interesting tales about the social gatherings at the Polana Hotel. His stories were listened to with amused skepticism in his own house. His response to those who presumed to doubt his veracity was to flare up in sudden anger or to lapse into an equally intimidating silence. He was a proud man, proud of his ancestry and proud of his achievements. He had certainly led and adventurous life. I always enjoyed his narratives. He was a good storyteller.

Upon my own departure for Mozambique in April 1993, I intended initially to stay at the Polana Hotel while ONUMOZ determined my assignment within the mission. On arrival in Maputo, however, I immediately learned that was not possible because the Polana was fully booked. ONUMOZ set me up in another hotel, the Cardoso, which had a view of the magnificent Bay of Maputo. So on my second day in Maputo I went for a dinner at the Polana. While in transit from Johannesburg, I was told the Polana had Mozambique¿s finest five-star cuisine; when I arrived there I realized instantly that the place was the talk of the town. The doormen wore full-length braided coats that gave them the appearance of grandees. Businessmen hustled through the lobby handing out their business cards, and of course, the local elite was obliged to put in regular appearances. I said to myself ¿ this is the place to be ¿ wow! All the wheeling and dealing I observed seemed almost like an illusion. A friend from the American Embassy who accompanied me that evening told me that Mozambique was a virgin country and what I was witnessing were facts of modern economic life. I guess he was right. After all, Mozambique natural wealth ¿ which includes large coal reserves, iron ore, and some of the world¿s largest deposits of tantalite, not mention vast tracts of arable land ¿ has been virtually unexplored. There will be a lot of business to be carried out as soon as the situation settles down.

A few days after that memorable evening at the Polana, I went north to take up my assignment in the province of Nampula. I was assigned as the Finance Officer for the Northern Region. In that capacity, I reported and worked closely with the Administrative Officer in Nampula. I would like also to mention that during the period of my transition into the post of Finance Officer, the staff at large in the office was instrumental in guiding me through the myriad details and procedures, which were required to interpret and implement the responsibilities of the post. Arriving in Nampula was like entering another world. The town was plagued by shortages. During the first week I was there, the beverage stocks ran out. There was nothing left to drink ¿ no beer, no fruit juice, no Coca-Cola. We were fortunate enough to find bottled spring water in some stores. The most heard and hated word in town was ¿acabou¿, which means no more. However, in my mind, the worst things to suffer and to live with in Nampula were the streets. They were in disrepair ¿ craters and potholes were everywhere. Before independence the street of Nampula had been very well paved; but, in the confusion and instability that reigned afterward, they were terribly neglected. Most houses needed paint. Many buildings carried a patina of soot and scorch marks caused by cooking fires on the landings. Most shops and the few restaurants had the dim, bare look and unwashed smell of long disuse that was standard throughout rural Mozambique.

One of the most serious shortages in Nampula moreover was electricity. Sometimes the town was forced to go without power for long periods. During my entire assignment in Nampula, I stayed at the hotel, which ONUMOZ used to lodge its staff. Hotel Lurio had its own generator, but that failed on more than one occasion too. And when the power was off there was no water either because the pumps needed electricity. Meanwhile, the job had to be carried out, and my only thoughts were to finish my assignment assignment and return to New York via Maputo and Johannesburg. And Maputo meant to stay at the Polana Hotel during my debriefing sessions at ONUMOZ headquarters.

Finally, in mid-November, the day of my departure from Nampula was at hand. My replacement showed up, the transfer of responsibilities was made according to the rules and regulations of the organization and the Administrative Officer, the staff at large and the Battalion Commander organized a huge farewell party. I was trilled. My trip back to Maputo with Mozambique Airlines was very pleasant and colleagues of mine from the UNDP office were waiting for me at the airport. They drove me to the Polana Hotel where arrangements had been made for my stay of five days. I knew I was going to enjoy the lodgings there.

The legendary elegant old lady of Africa, the Polana Hotel, was and still is a five star hotel. The interior exudes warmth that comes from decades of loving care rather than a decorator¿s drawing board. The owners¿ welcome guests to a graceful atmosphere echoing with Portuguese elegance and personal hospitality ¿ the kind that captures the heart and brings guests back year after year.

Maputo, a beautiful coastal town, is, in fact, a handsome city, built on a bluff overlooking the Indian Ocean and Maputo Bay. Compared with the rest of Mozambique, Maputo was Paris. Its wide avenues shaded with flowering trees ¿ jacaranda, acacia and frangipani ¿ resemble a miniature Lisbon, replete with tile floors and sidewalk cafes. Maputo was created with style, charm and logic; it was once regarded as one of the more vibrant cities on the continent. While only a shadow of its once-splendid self, Maputo has the potential to regain its preeminence among African capitals. There are still some wealthy neighborhoods in town and Somerschield was one. It was previously a leaf district from which even their British creditor overlords once excluded the Portuguese. Somerschield was not far from the Polana Hotel

Friends from the American Embassy took me on a tour of the city and the coastal area running north, the Costa do Sol. This site was actually the northern limit of the area within which many expatriates in Maputo used to wander. The reason I specifically insisted on going there was because the Costa do Sol was one of my grandfather¿s favorite places to savor the local cuisine, most specifically, the prawns, the lobsters, peri-peri chicken, matapa and few glasses of good Portuguese Vinho Verde. My grandfather would go to the end of universe in search of a good meal. He described Mozambican cuisine as a blend of Portuguese, African and Asian influences, and he had a great love for food.

As I sat down on the balcony of my room at the Polana Hotel remembering my adventuresome grandfather, the great yellow orb of the sun was rising from the Indian Ocean. Its pale yellow light, reflected in the high-flying clouds, washed the early morning mist from the sea giving promise of the heat that would follow. It was just another day in Africa.

As my grandfather did many times before, I was once again getting ready to depart from Africa. I had had a memorable time in Mozambique. The work with ONUMOZ had been very rewarding and I was having mixed feelings about my departure. It was time again to reflect about something a dear friend of mine once wrote to me ¿ ¿I wish you a pleasant time finding out more about your alter ego and his fellows¿. I took him to mean that in new surroundings you can always find something new about yourself. He was right.

*****

Paulo R. Rezende was a UNDP staff member in New York His other secondments were assignments with the United Nations Peace Keeping Operations in Namibia, Angola and the Golan Heights. Presently he is living in Toronto, Canada.

postado por: Zu 7:20 PM Passo a bola:


Sábado, Agosto 16, 2003

E foi assim que um dia Paulo Rezende me apareceu por e-mail:

Hello Juliana,

Através de uma outra prima, vim a ter conhecimento do seu site Contos de Réis. Desde o primeiro contato, tenho sido um admirador da sua forma de escrever e, weather permiting, volto diariamente àquele site. Quanto a mim, primeiro, eu diria que não escrevo mas gosto de rabiscar. Depois, apezar do nome e de ter nascido no Brasil, eu sou americano e um expatriado no Canada, by choice, um país que admiro mais a cada dia que passa. Not to sound too corny about it, but love, respect, gratitude, time. Minhas limitações ao escrever em português são muitas pois não tenho o hábito de falar aquele vernáculo. Donde, me limito apenas a me comunicar com uma das minhas primas, com minhas irmãs, e de tempos em tempos, uma ligação telefônica com elas e mais uns dois relativos. Mas o escrever foi sempre parte da minha vida professional, eternos relatorios, por exemplo - ou iniciando algum papel que mais tarde veria a ser o princípio de algum policy paper na estrutura governamental do meu país adotivo.

Voltando ao Contos de Réis, eu diria que a minha fascinação por sua pessoa, inter alia, é o fato de ambos termos nascido na Serra, como também de termos um grande sentimento por aquela área. No meu caso, a Serra da Estrela, Serra do Mar, e você, pelas belas cidades mineiras da Serra da Mantiqueira, ou, do Espinhaço? Hoje, indo ao seu site, tive a satisfação muito grande de me inteirar do primeiro aniversário do mesmo e daquilo que você se dispôs a fazer, para comemorar o evento. Cheers, and many happy returns! E parabéns pelo conteúdo. Não resistí e ainda que sem nenhuma pretensão a uma possível remuneração dos prêmios, envio-lhe um dos meus contos/ crônicas, o qual são saudaveis recordações da passagem dos tempos de anjo-menino nas nossas queridas Serras. O manuscrito anexado - Duas Encantadoras Primas - necessita, a meu ver, de ser melhor editado. Entretanto, uma das minhas primas com a qual mantenho um contato assíduo no net, por uma razão ou outra qualquer, nunca teve tempo de fazê-lo. Mas isso não me incomoda pois no fundo talvez seja para mim mesmo que eu escrevo. Sempre foi assim.

In closing, I hope all goes well with you, with your professional life, private life, and that adorable Contos de Réis. Till the next line.

Very best,

Paulo


Daí, continuou:

Oi Juju,

É mesmo assim o seu nome, apelido, quero dizer? Entretanto, Juliana é um nome muito bonito. Anyway. Delighted to open the micro in this morning and find that lovely note from you. Ainda sem saber exatamente o que você faz, eu usaria uma das expressões do meu avô, para dizer que você é, de fato, uma dessas pessoas fora de série. Indeed you are.

Quanto a mim, nascí no Brasil, em Petrópolis. Fui para os Estados Unidos, tive de fazer o serviço militar lá novamente - na época havia o draft, pois era o período da guerra do Vietnam. Com o passar do tempo, fui enviado para o Panama e lá, devido ao meu background em línguas, fui recrutado para trabalhar numa certa área do governo. Tornei-me cidadão americano perdendo então a cidadania brasileira. Trabalhei naquela área durante uns 6 a 7 anos e num sector bem específico: Africa. Fui enviado para a Inglaterra e Portugal para um treinamento e logo após partí para o field. Adoro Africa. Ah, caminhos de terra! Talvez um dia desses ficarei de lhe enviar algo que escreví à respeito de uma certa passagem em Moçambique que também tem algo a ver com as viajens do meu avô. Ambos estivemos no mesmo lugar, em períodos diferentes, é claro, e o que nos uniu nessa história foi em certo hotel em Maputo, antes chamada Lourenço Marques. Após aquele período, eu fui desligado; entretanto, a organização para a qual trabalhei encontrou um trabalho para mim nas Nações Unidas, onde trabalhei até finais de 1996, e daí então vim residir no Canada. Ainda que desligado daquele sector onde trabalhei para o governo, a bem verdade eu nunca saí pois sempre fiz parte do (old boys network). A maior parte do meu trabalho nas Nações Unidas foi em New York, uma cidade que amo muito. Porém, meus últimos 7 anos de trabalho naquela orgaização foi passado, primeiro, na África e depois, no Oriente Médio. Lá, eu conhecí a minha esposa (terceira), nos casamos em Damascus, onde ela residia. Ela, como também os parentes, são Canadenses mas de origem Libanesa. Atualmente estamos a espera do nosso filho. Por uma razão ou outra qualquer, nunca tive filhos donde você pode imaginar o que irá passar agora na minha vida. However, we are both very happy. Minha esposa trabalha no campo turístico, e eu estou aposentado. I had an early retirement option, em outras palavras, fui forçado a tomar aquela opção, porém, pas de souci. Vivemos tranquilos. Toronto é um agradável lugar para morar mas a única coisa que lamento são as amizades pois aqui não tenho nunhuma. Todos meus amigos estão nos Estados Unidos ou na Europa. Enquanto isso, tento me manter ocupado. Nado sempre, cozinho (outras das minhas paixões) leio, vejo tv, ouço minhas músicas (jazz, clássico, e algo de música popular brasileira) Bossa Nova! Gosto também de um sambão tradicional e os eruditos, como Villa-Lobos (sobretudo os choros). Eu penso que a atual fase da música popular brasileira é um desastre, uma tristeza mesmo.

De repente olho para o relógio, o texto acima e noto que o tempo passou sem perceber. Ainda não tomei o meu café da manhã. Ficarei por aqui. Antes porém, gostaria de lhe enviar algo de um dos nossos favoritos poetas da língua portuguêsa, Fernado Pessoa:

Não, nem no sonho
a perfeição sonhada
existe pois que é sonho.


Cuide muito bem daquele Conto de Réis o qual é uma inspiração para muita gente por aí. Você tem um talento muito grande e nobre para escrever. Por acaso já publicaste algo: poesias, contos - ou está tudo arquivado? Gostaria de ler algo seu e além dos Contos. Será?

No mais, um forte abraço. Um beijo grande,

Paulo


E-mail
Pessoa interessante essa que conquistou minha admiração, meu respeito e minha amizade. Dele serão os próximos textos.

postado por: Zu 1:26 PM Passo a bola:


Agora alguns poemas do Cláudio Bettega, mas antes o texto do e-mail que trouxe estes versos para mim.

Ah, não há quem diga que o importante é participar? Aí, ó, três pecadilhos... não, três pecados mortais!!!! Pobre crítica literária Juju, vai sofrer...
Não estou postando os três contos, mas alguns poemas primeiro.



um prato de comida
pra matar
a fome
um jorro de poesia
o prato
que meu espírito
come

*****
Como dói
Passar por longo sofrimento
E derramar versos amargos
Que nem parecem belos.
Como dói
Ter de verter toda essa mágoa
Espremer sentimentos em palavras
Para chamar de poesia.
Como dói
Ter a vida aprisionada num esquema vadio de emoções
E não poder fruí-la
E não poder vivê-la.
Como dói
Ouvir a voz do destino dizendo que nada muda
Nascemos para depois morrer
E no intervalo vagamos perdidos.
Como dói
Amar o belo e ser feio
Gritar ao mundo sem ser ouvido
Regurgitar essa dor a todo instante e não ser consolado.
Como dói
Tudo que fere
Tudo que prende
Tudo que ofende.
Como dói
Tudo que dói.

*****

Altas horas.
O sol da meia-noite
não cobre
meu hemisfério.
O som do mar
não quebra
em Curitiba.
A paz -
onde há paz?

*****

anoitece;
o grito da angústia
embutido em minha mente
ecoa por minha existência,
dominando ações e sentimentos.
meus olhos latejam, meu corpo treme,
a cabeça inteira sofre.
quero e quero sentir algo poderosamente
mais suave,
que me alimente de um pouco
de alegria;
busco uma reflexão, um inventário de pequenas
felicidades guardadas em alguma lembrança...
tudo em vão.
ajeito-me então no leito e,
assim como lá fora,
anoiteço.

*****

apenas serei feliz
quando uma mulher apresentar-me
a verdade do amor

apenas serei feliz
quando meu ser encontrar
o real da vida

apenas serei feliz
quando todos os caminhos concentrarem-se
numa fluente direção

apenas serei feliz
quando o diabo deixar de ser
o meu deus e o
inferno, meu paraíso

*****

chega a brisa
me banha
o rosto
suavemente
alisa
os cabelos
enxuga
meus pêlos
remove as
poeiras
da mente
e vai

*****

De onde vem tudo?
Quem criou tudo isso?
Deus? Que deus?
O que mantém a energia
dos espíritos que, sei,
me energizam?
O que determina a beleza das palavras,
dos homens, da vida; a dureza
das palavras, dos homens, da vida?
O que gera dúvidas, estas dúvidas todas?
Sou louco, sou mito,
sou pouco, sou muito?
Como viemos, se já vamos?
Por que vamos, se viemos?
De onde, para onde?
Por que o por quê?
Ah, inexplicabilidades...
O que me resta é continuar!

*****

me despedaço
querendo, com você,
travar um laço
de carinho, sentimento,
de amor, contentamento
te persigo pelas ruas
pelos bares
pelas horas
me embriago de vontade
de espera
de saudade
grito, adormeço,
sonho, palpito
e depois te reconheço
numa imagem distorcida
amanhecida
garimpada nas gavetas
do esquecido
nosso laço
está no nunca
no impossível
no abandono
sua marca me transmite
que você
não quer ter dono

*****

Vou escrever este poema breve
Que seja leve
E traga a neve
Pra esfriar
Meu coração
Que não quer mais sofrer
Por você

Vou debulhar minhas lágrimas
E esquecer o sentimento
Acordar e dar risadas
E admirar o firmamento

E por fim
Vou trafegar por nuvens brandas
Descobrir o sonho e vencer
A batalha
Que é viver.

*****

Quero escrever um poema longo
conceber várias imagens
verter várias idéias
Desses poemas que falam de tudo
até da casinha do cachorro
da cortina queimada
do chocolate quente com gemada
Tão breve às vezes sou
tão sem jorro criativo
que agora quero ir
do solo ao infinito
Quero cruzar os mares
continentes
sair da minha província
voar pelos ares
Encontrar outros poetas
discutir o ¿Navio Negreiro¿,
¿Os Lusíadas¿
aprender a ouvir
tentar me desinibir
Quero criticar o governo
mudar a realidade
do meu País enfermo
Os dias de sofrimento
vou deixar para trás
As vestes, os costumes
todo o caldo de cultura
toda a vida, tão escura
quero tudo mudar

Vou procurar um café
em que declamem poesia
vou trabalhar com palavras
e ganhar meu dia a dia
Os cristais, os azulejos
os discos de vinil
os olhares de perfil
tudo tudo vai ser meu
até peças de museu

O poema já é longo
já arranjei várias idéias
tracei alguns planos
quis até voar no céu
Agora, agora vou ler mais poesia
dessas que também falam de tudo
que cantam o mundo
que descobrem o ser profundo
Que percorrem toda a alma
e fazem da vida, calma

E-mail
Chfb in Concert

postado por: Zu 11:49 AM Passo a bola:


O fato é que estou fazendo um mini concurso literário lá no Conto de Réis e tenho recebido muitos textos bons. Vou publicar alguns aqui, assim posso pedir opiniões sinceras e sensatas. São três categorias e começo pela poesia:

Ultimamente
Roberto Yukio Iwai


Ultimamente eu ando pelas ruas de São Paulo
e não vejo mais a poesia de nossas avenidas.

Não consigo mais sentir aquele ponto-de-vista
de película de cinema.

- pois vejo moleques como bandidos, garotas como
vagabundas, carros como morte. Vejo árvores como
decadência, o sol como final, e a lua como tristeza.

Já não há mais nenhum sinal de sorte
Nessa cidade já não há mais delicadeza.



E-mail
Projeto Composer
The Persona Giramondo
Superhit Blasternova
Pensamentos destoados pela antítese
Rabisco fuçado por aí

postado por: Zu 9:08 AM Passo a bola:


Terça-feira, Agosto 12, 2003

Eu já disse que te amo hoje? E o quanto te amo? E porque te amo? Pois saiba que te amo sem tamanho, simplesmente por você ser você!

postado por: Zu 9:16 AM Passo a bola:


Segunda-feira, Agosto 11, 2003

Um passeio na minha história...


Bisavô Lindolfo


Vovô Nicésio

postado por: Zu 12:59 PM Passo a bola:


Uma brincadeirinha para animar a semana:



Tirado daqui.

postado por: Zu 8:32 AM Passo a bola:


Sábado, Agosto 09, 2003

Quem não tem medo de bicho papão? Ou da sua própria imagem refletida no espelho?



postado por: Zu 11:44 AM Passo a bola:


Quinta-feira, Agosto 07, 2003

Um dia a casa cai.

















postado por: Zu 8:45 AM Passo a bola:


Terça-feira, Agosto 05, 2003

Tudo Bem
Lulu Santos
Já não tenho dedos pra contar / De quantos barrancos despenquei / E quantas pedras me atiraram/ Ou quantas atirei/ Tanta farpa, tanta mentira / Tanta falta do que dizer / Nem sempre é 'so easy' se viver / Hoje eu não consigo mais me lembrar / De quantas janelas me atirei / E quanto rastro de incompreensão / Eu já deixei / Tanto bons quanto maus motivos / Tantas vezes desilusão / Quase nunca a vida é um balão / Mas o teu amor me cura / De uma loucura qualquer / É encostar no teu peito / E se isso for algum defeito / Por mim tudo bem

postado por: Zu 2:56 PM Passo a bola:


Segunda-feira, Agosto 04, 2003

Apresento para vocês Afrodite, ou minha pequena Frô (quando ela ainda era pequena).

postado por: Zu 3:03 PM Passo a bola:


Domingo, Agosto 03, 2003

Dia de distribuir rosas, de transformar pedras em flores.

postado por: Zu 2:10 PM Passo a bola:


Sexta-feira, Agosto 01, 2003

E nós, no fundo, o que somos?





postado por: Zu 4:33 PM Passo a bola:


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